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Por que a poluição mata cada vez mais bebês e crianças?

Por Daniella Franco

A Organização Mundial da Saúde (OMS) fez um grave alerta nesta semana: a poluição causa a morte de 1,7 milhão de bebês e crianças com menos de 5 anos de idade   números que não param de aumentar. Entre os riscos ambientais mais graves para os pequenos estão a poluição do ar, a água contaminada, a falta de saneamento e a higiene deficiente. No entanto, a exposição a um ar de má qualidade é fatal: 570 mil crianças morrem a cada ano por causa de doenças respiratórias.

Para Maria Neira, diretora do Departamento de Saúde Pública e Meio Ambiente da OMS, o grande problema é que as cidades estão cada vez mais contaminadas. "Não podemos escolher: todos temos que respirar. Mas nove a cada dez pessoas em todo o mundo vivem em locais cuja qualidade do ar não respeita as normas da Organização Mundial da Saúde", diz.

Segundo o relatório da OMS, o grande número de óbitos de crianças de baixa idade se deve à vulnerabilidade dessa população, cujos corpos e sistemas imunológicos ainda estão em desenvolvimento. O que poucos pais sabem, no entanto, é que os bebês começam a enfrentar os problemas causados pelo ar poluído antes mesmo de nascer.

"Bebês que são gestados em ambientes poluídos pesam menos. Há também maior incidência de prematuridade dessas crianças, o que aumenta a probabilidade de morte no primeiro ano de vida e o risco de desenvolver obesidade e diabetes do tipo 2 durante a infância. Além disso, as pneumonias, causadas por vírus ou bactérias, ocorrem com mais frequência nessa idade vulnerável. Porque exposto à poluição, o organismo dessas crianças é enfraquecido e isso prejudica a capacidade de defesa de seu sistema imunológico", explica Paulo Saldiva, médico especialista em poluição atmosférica e professor da Faculdade de Medicina da USP.

Poluição no interior das casas também é perigosa

A OMS alerta que a poluição interior é tão grave quanto a exterior. A contaminação dentro das casas é principalmente causada pelo uso de carvão e madeira para cozinhar e nos sistemas de aquecimento. Por isso, medidas podem ser implementadas pelas próprias famílias. "Existem programas de combate à poluição interior que tiveram muito sucesso na Ásia, utilizando fogões com uma melhor exaustão, reduzindo o nível de contaminação nas casas e ocasionando uma melhora da saúde nas famílias, principalmente das crianças", ressalta Saldiva.

Além disso, o especialista aponta a necessidade de se investir em projetos de desenvolvimento sustentável para reduzir a emissão de CO2 no atmosfera   soluções que não são desconhecidas dos governos. "Transportes públicos de baixa emissão e geração de energia que não sejam derivadas de óleo ou carvão: esse é o caminho básico. Afinal, interromper o ciclo de vida de uma criança devido à poluição é um problema que diz respeito não apenas à saúde, mas é uma questão também de direitos humanos", avalia.

Manifestação vai lotar Champs-Elysées com carrinhos de bebê

A França viveu picos sucessivos de poluição entre o final de 2016 e o início de 2017, o que mobilizou as autoridades e a população, nem sempre consciente dos perigos da poluição ou disposta a empregar as medidas de emergência. Desde janeiro, um sistema que impede que veículos mais antigos e mais poluentes circulem em determinadas zonas foi adotado em Paris e está sendo utilizado em outras cidades.

Mas, para Olivier Blond, presidente da associação Respire   que milita pela melhora da qualidade do ar na França  , é preciso pensar de forma permanente em limitar a exposição da população e principalmente das crianças à poluição. Para alertar os políticos e incitá-los a tomar as medidas necessárias, ele organiza uma mobilização, prevista para ser realizada no dia 2 de abril, que promete lotar a avenida Champs-Elysées, no centro da capital francesa, com carrinhos de bebê.

"Neste dia, a avenida Champs-Elysées estará fechada para o trânsito de veículos, então o ar estará mais limpo do que normalmente. A ideia é que os cidadãos venham em família e tragam bebês em seus carrinhos para mostrar que não somente os adultos, mas as crianças também são vítimas da poluição. É nossa responsabilidade proteger o planeta, mas também devemos proteger nossos filhos, afinal, são eles que vão ocupar o planeta depois de nós", afirma.

O militante lembra que o novo relatório da OMS não é surpreendente e que há vários anos organizações e ambientalistas vêm alertando sobre os riscos da poluição para as crianças. De fato, um relatório divulgado pela Unicef no ano passado apontou que uma a cada sete crianças no mundo, ou seja, 300 milhões, vivem em zonas extremamente poluídas. Segundo o documento, dois bilhões de menores habitam áreas onde a poluição atmosférica excede os limites de qualidade mínima do ar.

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