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Sem otimismo, negociações sobre crise na Síria são retomadas em Genebra

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Nasr al-Hariri, líder da oposição síria, em coletiva de imprensa em Genebra em 23 de março de 2017 REUTERS/Pierre Albouy

As complexas discussões em busca de uma solução para o conflito na Síria foram retomadas nesta quinta-feira (23), em Genebra, promovidas pela ONU, com representantes de Damasco e da oposição. A guerra entrou no sétimo ano e já deixou mais de 320.000 mortos e milhões de deslocados.

 


Antes desta quinta reunião, o enviado especial da ONU para a Síria, Staffan De Mistura, partiu em missão diplomática em várias capitais. No seu roteiro, Moscou e em Ancara para debater a crise. A Rússia, que apoia Damasco, e a Turquia, próxima da oposição, patrocinam o atual cessar-fogo.

A delegação oficial é liderada por Bashar al-Jaafari, embaixador da Síria na ONU em Nova York. Em outro hotel de Genebra, estão os delegados do Alto Comitê de Negociações (HCN), composto por grupos-chave da oposição e dirigido por Nasr al-Hariri.

Quatro reuniões e nenhum resultado 

Quatro rodadas de negociações foram realizadas em Genebra desde o início de 2016, mas sem encontrar uma solução para este conflito que, em seis anos, fez mais de 320.000 mortos e milhões de deslocados. A última, em fevereiro, estabeleceu uma agenda clara - luta contra o terrorismo, governança (termo utilizado para discutir uma transição política), Constituição, eleições -, mas este programa parece excessivamente ambicioso dado o abismo entre as duas partes.

Como nas precedentes negociações, as discussões serão indiretas, com De Mistura atuando como intermediário e moderador. Mas mais uma vez sua tarefa será difícil porque, de acordo com analistas e diplomatas, a oposição e, especialmente, o regime, não parecem dispostos a fazer concessões.

A oposição continua a exigir a saída do presidente sírio, Bashar al-Assad, como pré-condição para as negociações. Por sua vez, Damasco quer que a "luta contra o terrorismo" - termo usado pelo governo para designar todos os seus adversários - seja prioridade.

Reunião em Genebra começa em clima pessimista

Os analistas são pessimistas sobre o resultado das conversas. Desde a intervenção militar na Síria de seu poderoso aliado russo no final de 2015, o regime do presidente Assad inverteu completamente a situação, com uma série de vitórias sobre os rebeldes e os extremistas islâmicos. Em dezembro, o exército assumiu e recuperou toda a cidade de Aleppo, a sua vitória mais importante.

"Essas negociações são muito difíceis", argumenta uma fonte diplomática francesa. "A oposição está dividida e temos visto uma degradação de suas forças ante o regime. Em minha opinião, não haverá acordo político como tal, ou apenas um acordo meramente formal", acredita Yezid Sayigh, do Centro Carnegie sobre Oriente Médio.

Do lado da oposição, até recentemente apoiada pelos Estados Unidos, tudo está em suspenso, pois desde que assumiu, Donald Trump não forneceu qualquer sinal de envolvimento na busca de uma solução ao conflito.

Neste contexto, o frágil cessar-fogo, em vigor desde dezembro, se encontra ameaçado por várias ofensivas rebeldes e extremistas no leste Damasco e no centro do país.

O conflito sírio provocou até agora mais de 320.000 mortos e obrigou quase cinco milhões de pessoas a abandonar o país.