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Não há espaço para Bashar al-Assad depois de ataque químico na Síria, diz UE

Por RFI

Seis anos de uma guerra sangrenta que deixou o país em ruínas. A guerra ainda não acabou, mas a União Europeia e a ONU co-presidem uma conferência internacional, nesta quarta-feira (5), em busca de apoio ao futuro do país e da região. O objetivo é discutir o futuro do país e da região, poucas horas depois do ataque químico mais letal dos últimos anos. 

Letícia Fonseca, correspondente da RFI em Bruxelas

Delegações de setenta governos, organizações humanitárias e representantes da sociedade civil síria participam nesta quarta-feira da conferência em Bruxelas, que também foi idealizada pelos governos da Alemanha, Noruega, Kuwait, Qatar e Reino Unido. Segundo a chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini, “será principalmente uma conferência política, na esperança de que seja uma oportunidade para a comunidade internacional virar a página e começar a transição política, o processo de reconciliação e reconstrução da Síria”.

Mogherini, responsabilizou o presidente sírio Bashar al-Assad pelo ataque mais letal dos últimos anos. “Obviamente, a primeira responsabilidade é do regime, porque seu papel é proteger o povo, e não atacá-lo”. O Conselho de Segurança da ONU vai se reunir em caráter extraordinário nesta quarta-feira, para discutir o suposto ataque químico que pode ter matado ao menos 100 pessoas e deixado mais de 400 asfixiadas na cidade de Khan Cheikhoun, no noroeste da Síria.

A área atacada é controlada por rebeldes opositores ao governo de Bashar al-Assad. Ainda não se sabe se o bombardeio foi realizado com um avião do governo sírio ou russo. A reunião do Conselho de Segurança da ONU foi solicitada pelos EUA, França e Reino Unido, que condenaram o ataque e afirmaram que “o uso de armas químicas constitui uma violação inaceitável da Convenção sobre a Proibição de Armas Químicas”.

Mediação da ONU

Durante o encontro, a comunidade internacional também deve discutir como apoiar o papel de mediação da ONU nas negociações para a paz na Síria. Desde o início do ano passado, foram realizadas quatro rodadas de negociações em Genebra, com poucos avanços significativos. A reunião na capital belga, com a presença do secretário-geral da ONU, António Guterres, vai ainda discutir os desdobramentos da conferência de doadores internacionais realizada no ano passado em Londres.

Na época, foram arrecadados mais de US$ 10 bilhões para fornecer alimentos, educação e oportunidade de empregos a sírios – dentro da Síria e nos países vizinhos para onde muitos fugiram. O conflito sírio provocou até agora mais de 400 mil mortos e obrigou cinco milhões de pessoas a abandonar o país.

"Bloquear Bashar al-Assad"

Não deve haver espaço político para Bashar al-Assad no futuro. Essa é a mensagem de Bruxelas. A chefe da diplomacia do bloco europeu, Federica Mogherini, afirmou que “parece completamente irrealista acreditar que o futuro da Síria será igual ao passado; mas a decisão final cabe aos sírios”.

A UE reiterou que não pode haver paz duradoura na Síria com o atual regime de Damasco. “A reconstrução da Síria não irá começar enquanto não houver uma transição política no poder”, afirmou Mogherini. Cerca de 13,5 milhões de sírios que enfrentam extrema pobreza e péssimas condições precisam urgentemente de ajuda humanitária. Existem 6,3 milhões de deslocados internos, 1,5 milhão em zonas sitiadas e 5 milhões de refugiados.

A crise humanitária dos sírios é a mais trágica desde o final da Segunda Guerra Mundial. De acordo com o Banco Mundial, especialistas estimam em US$ 170 bilhões o total necessário para reconstruir a Síria. Desde o início da guerra, em 2011, o PIB do país perdeu 57% de seu valor. 85% dos sírios vivem abaixo da linha de pobreza – comparado com os 13% antes do conflito – e cerca de 3 milhões de crianças sírias estão sem acesso às escolas.

EUA quer se alinhar com a Rússia

O presidente americano Donald Trump se afastou da postura da ex-administração de Barack Obama e tem mostrado interesse ao propor um alinhamento estratégico com a Rússia. Trump estaria interessado em uma aliança entre Washington e Moscou para destruir o fundamentalismo islâmico. Para Trump, seu maior combate é o grupo extremista Estado Islâmico. Tentar tirar Bashar al-Assad do poder, como defendia Obama, não é prioridade para o magnata conservador. Porém, o que motiva presidente russo Vladimir Putin na Síria não é acabar com o EI, é sobretudo e ampliar o apoio ao governo de Bashar al-Assad. Analistas afirmam que com a intervenção militar russa na Síria – que completou um ano e meio -Putin quer posicionar a Rússia como uma potência capaz de interferir nos rumos do Oriente Médio.

 

 

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