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Ciro Gomes: “Nosso problema central não é a corrupção e sim o colapso econômico do Brasil”

Por Maria Emilia Alencar

A divulgação bombástica da lista de inquéritos do Supremo Tribunal Federal (STF), a partir das delações da Odebrecht, descreditou a classe política brasileira. O pré-candidato pelo PDT à eleição de 2018, Ciro Gomes, ficou fora da lista, o que pode favorecê-lo na corrida presidencial. Em entrevista exclusiva à RFI, Ciro Gomes diz que se “comportar” como homem público “nada mais é do que uma obrigação”, e acredita ser um erro colocar a corrupção no centro do problema do país. “Nosso problema é o colapso econômico brasileiro”, diz.

Ex-ministro, ex-governador, ex-prefeito, Ciro concorreu duas vezes à eleição presidencial no Brasil (1998 e 2002) e acha que sua pré-candidatura desperta interesse agora porque “ele não simplifica o discurso” mas, ao contrário, pretende ver as coisas na sua complexidade”.

Ele não se vê por enquanto participando de uma ampla frente de esquerda no país e admite que sua situação pode se complicar se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentar se reeleger. Segundo Ciro, se isso acontecer, vai ficar difícil para uma candidatura como a dele “ser achada pelo eleitorado”. Mas garante que fará o que o seu partido decidir.

“Dizer que todos políticos são iguais é um perigo”

Nessa entrevista à RFI, Ciro Gomes não chegou a admitir que o fato de estar fora da lista do STF pode lhe dar uma vantagem sensível no cenário eleitoral para 2018. Ele insistiu “que não consegue comemorar nada” e alertou para o perigo da generalização da classe política. Para o ex-ministro, há o risco da perda de confiança do povo na democracia, sentimento que está se alastrando perigosamente no Brasil. Ao generalizar, “você equaliza por baixo e acaba protegendo o centro podre que comanda atualmente a política brasileira”.

Ele ressalta que sua grande preocupação atual é que as pessoas sejam iludidas na “crença simplória” de que o nosso maior problema é a corrupção. “A corrupção é uma chaga, um câncer, que contamina a confiança no sistema, mas a centralidade do problema brasileiro na corrupção é um erro”.

Quanto ao “pacto” que estaria sendo selado, segundo a imprensa brasileira, entre PMDB, PSDB e PT, para impedir a exterminação das maiores legendas partidárias do país, ele se mostrou indignado: “Isso replica a pior tradição elitista e plutocrata brasileira”.

Ciro Gomes estava em Paris a convite do Instituto Cultural Alter'brasilis e do CAici (Instituto Internacional Cultural Castro Alves), onde participou nessa sexta-feira (14) de uma mesa-redonda com pesquisadores brasileiros e franceses na Universidade Paris 3 Sorbonne Nouvelle. Em seguida, o ex-ministro fará palestras em Barcelona, Lisboa e Coimbra.

 

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