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Pilotos brasileiros buscam oportunidades de trabalho na China

Se a economia do Brasil está longe de voar em céu de brigadeiro, é na China que os pilotos brasileiros têm vindo buscar novas oportunidades de trabalho. Cada vez mais numerosos, eles fazem sobretudo voos nacionais. As empresas chinesas têm recrutado aos montes no exterior. É que o crescimento das linhas e das companhias aéreas aqui é tal que não o mercado de pilotos local não dá conta de acompanhar o ritmo.

 

Vivian Oswald, correspondente da RFI em Pequim

Nascido em Goiânia, o comandante Belmiro Amaro, desembarcou em Pequim há onze meses. Foi um dos primeiros a chegar neste leva mais recente. Os primeiros vieram para a China logo depois das sucessivas crises que levaram companhias tradicionais como a Transbrasil, Vasp, e, posteriormente, a Varig a fechar as portas no Brasil.

"O chinês precisa do estrangeiro no mercado aeronáutico para poder suprir a demanda aérea que ele necessita. Uma matéria que eu vi há um tempo atrás diz que eles precisam de 100 pilotos, por semana, na China. E a mão de obra aqui não consegue suprir isso. Então, vão buscar lá fora. O estrangeiro que chega aqui tem diversas companhias, diversos tipos de contrato. Onde ele se sente bem, finca o pé" - conta.

A formação de pilotos e co-pilotos na China é longa. Eles contabilizam número de pousos e não de horas, como em outros países do mundo, o que faz o processo ser mais demorado. Em um país que cresce em ritmo acelerado, é difícil atender a demanda do mercado.

Novos desafios

Segundo Belmiro, que foi piloto da Gol, suas perspectivas no Brasil já não eram mais interessantes desde que se tornou comandante. Ele começou a pensar em deixar o país em 2009. E vir para a China sempre esteve em seu radar. Outros colegas partira para o Oriente Médio, outro mercado em franco crescimento que tem atraído os piloros brasileiros. Após uma seleção por que passou em 2011 nos Estados Unidos, acabou passando nas provas e vindo para a Pequim. Ele estava de férias quando descobriu a oportunidade de fazer o teste.

"A gente veio, eu e minha esposa, numa experiência de vida, procurar novos desafios, aproveitar a minha profissão, onde, aqui, o mercado tem as portas abertas para estrangeiro. E a gente veio para desafiar e ver o que podia encontrar aqui" - diz.

Belmiro elogia a infraestrutura aeroportuária chinesa. Diz ter se surpreendido com as inúmeras obras, aeroportos gigantescos construídos do zero. Estruturas inteiras são simplesmente demolidas e depois reconstruídas, segundo o piloto. Enquanto isso, no Brasil, relata, o que via era o que chamou de reforma de peneira, umas demãos de tinta e pronto.

Trabalho do pîloto é mais intenso na China

O piloto afirma que voar na China é diferente. O trabalho do piloto é mais intenso, porque o estrangeiro não pode passar serviço para o co-piloto, como dizem no jargão. Deve fazer tudo sozinho, decolar, voar e pousar. Eles às vezes se preocupam mais do que outros mercados com a segurança aérea, segundo Belmiro.

O piloto brasileiro se queixa da poluição na China. Mas conta que a segurança na rua é um dos principais fatores que o fazem gostar de viver aqui. Ele conta com entusiasmo que logo que se mudou, enquanto não tinha conta em banco, chegou a carregar à noite mais de 600 dólares no bolso, sem medo, muitas vezes. Era o horário que tinha para ir sacar dinheiro.

Ele e a mulher, e os dois cachorros, se adaptaram à vida chinesa e estão prestes a embarcar em outra aventura. Mudam-se nos próximos meses para a cidade de Fuzhou, perto da baía de Taiwan. É lá que Belmiro vai trabalhar agora, a sua segunda companhia aérea chinesa. Os planos são de ficar na China.

  A gente gosta muito daqui e não tem perspectiva no curto prazo de voltar para o Brasil. É aproveitar o máximo que a gente pode aqui para fazer uma aposentadoria futura com segurança. Aqui você trabalha mais. Em compensação, tem folgas melhores. Coloquei na balança. Mesmo que eu trabalhasse mais, poderia estar mais tempo em casa com a minha família, viajar mais. Para mim, hoje, aqui está melhor.

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