rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
  • UE impõe à Google multa recorde de € 2,4 bilhões por abuso de poder dominante
Linha Direta
rss itunes

China propõe o "Brics Plus", com possível adesão de México, Paquistão e Sri Lanka

O governo chinês quer redefinir os contornos do Brics - que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A China, que esse ano ocupa a presidência rotativa do grupo, afirmou que vai explorar formas para criar o “Brics Plus”, uma versão ampliada do atual bloco e que incluiria novas economias em desenvolvimento.

Luiza Duarte, correspondente da RFI em Hong Kong

A ideia foi defendida durante a coletiva de imprensa anual do ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, no mês passado. Wang disse que a China “vai explorar as modalidades de expansão para o 'Brics Plus' e construirá uma parceria mais ampla, mantendo diálogos com outros países e organizações em desenvolvimento, para transformar o grupo na plataforma mais influente para a cooperação Sul-Sul no mundo”.

Em uma entrevista publicada na imprensa estatal chinesa nesta semana, o economista-chefe do Banco de Desenvolvimento Eurasiático (EDB), Yaroslav Lissovolik, deu mais detalhes sobre o "Brics Plus", que, segundo ele, significa um Brics ampliado, com a abertura do grupo para outros países membros.

México, Paquistão e Sri Lanka são citados na matéria como novos integrantes potenciais do bloco. A participação de outros países já foi cogitada antes de forma isolada por membros do governo de nações que formam o Brics. O grupo também já teve reuniões com outros blocos. Outros países já expressaram desejo de participar da associação, mas nenhum convite ou processo de adesão foi formalizado.

Para Lissovolik, a proposta de Pequim é oportuna e visa dar um novo impulso aos processos de integração, em um momento de expansão do protecionismo. Ele defende o "Brics Plus" como um novo modelo de integração para a economia mundial.

Projeto pode encontrar dificuldades

Uma das grandes barreiras ao "Brics Plus" seria a oposição da Índia à entrada do Paquistão, com quem tem uma série de divergências.

No Brasil, dificuldades econômicas e a instabilidade política geram um enfraquecimento do país no cenário internacional. A África do Sul enfrenta uma desaceleração econômica, enquanto China e Rússia sinalizam uma aproximação.

Já com a Índia, o governo chinês tem questões extremamente delicadas a resolver. Pequim criou uma nova "Rota da Seda", uma iniciativa política e econômica que atravessa a Ásia Central até a Europa e tem duas vias: uma terrestre e outra marítima. O plano foi batizado de “Um Cinturão, Uma Estrada”.

A abertura do corredor econômico China-Paquistão, em 2015, é uma via vital do plano, no entanto passa pela parte da Cachemira ocupada pelo governo paquistanês e reivindicada pela Índia. A forte oposição a esse projeto tem feito a Índia relutar em aceitar o convite para o ambicioso projeto chinês de reabilitar a Rota da Seda e tem exacerbado o os atritos entre os dois países.

Nessa semana, o governo chinês renomeou seis distritos ao longo de uma disputada região fronteiriça do Himalaia com a Índia. O movimento é visto como uma "retaliação" pela visita do líder religioso Dalai Lama ao território indiano esse mês.

"Brics Plus" é bem visto na Índia

A possibilidade de ampliação do Brics teve repercussão na imprensa indiana. O jornal India Today diz que a China luta por maior participação no cenário mundial através dos Brics e que esse é um esforço para barrar o unilateralismo e favorecer a globalização.

Já o Times of India afirma que a China quer incluir seus aliados no Brics e que o plano pode ferir os interesses indianos. Mohan Malik, professor do Centro de Estudos de Segurança da Ásia-Pacífico em Honolulu, nos Estados Unidos, um dos analistas ouvidos pela publicação, afirma que se ampliado, o grupo perderia o foco e se transformaria em uma plataforma política para a China.

A 9º Cúpula do BRICS acontece em setembro desse ano em Xiamen, na China.

União Europeia decide punir países que se recusam a receber refugiados

Após derrota em eleições, May enfrenta mais críticas por incêndio em Londres

Mais de 140 toneladas de lixo hospitalar são vendidos na China sem tratamento

Acionistas de banco espanhol vendido por 1 euro processam Comissão Europeia

Senado americano inicia audiências sobre conexões entre Trump e Rússia

Sem perspectiva de paz com palestinos, Israel lembra 50 anos da Guerra dos Seis Dias

Acordo de Paris: Trump divide republicanos e une lideranças mundiais com saída dos EUA