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China propõe o "Brics Plus", com possível adesão de México, Paquistão e Sri Lanka

O governo chinês quer redefinir os contornos do Brics - que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A China, que esse ano ocupa a presidência rotativa do grupo, afirmou que vai explorar formas para criar o “Brics Plus”, uma versão ampliada do atual bloco e que incluiria novas economias em desenvolvimento.

Luiza Duarte, correspondente da RFI em Hong Kong

A ideia foi defendida durante a coletiva de imprensa anual do ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, no mês passado. Wang disse que a China “vai explorar as modalidades de expansão para o 'Brics Plus' e construirá uma parceria mais ampla, mantendo diálogos com outros países e organizações em desenvolvimento, para transformar o grupo na plataforma mais influente para a cooperação Sul-Sul no mundo”.

Em uma entrevista publicada na imprensa estatal chinesa nesta semana, o economista-chefe do Banco de Desenvolvimento Eurasiático (EDB), Yaroslav Lissovolik, deu mais detalhes sobre o "Brics Plus", que, segundo ele, significa um Brics ampliado, com a abertura do grupo para outros países membros.

México, Paquistão e Sri Lanka são citados na matéria como novos integrantes potenciais do bloco. A participação de outros países já foi cogitada antes de forma isolada por membros do governo de nações que formam o Brics. O grupo também já teve reuniões com outros blocos. Outros países já expressaram desejo de participar da associação, mas nenhum convite ou processo de adesão foi formalizado.

Para Lissovolik, a proposta de Pequim é oportuna e visa dar um novo impulso aos processos de integração, em um momento de expansão do protecionismo. Ele defende o "Brics Plus" como um novo modelo de integração para a economia mundial.

Projeto pode encontrar dificuldades

Uma das grandes barreiras ao "Brics Plus" seria a oposição da Índia à entrada do Paquistão, com quem tem uma série de divergências.

No Brasil, dificuldades econômicas e a instabilidade política geram um enfraquecimento do país no cenário internacional. A África do Sul enfrenta uma desaceleração econômica, enquanto China e Rússia sinalizam uma aproximação.

Já com a Índia, o governo chinês tem questões extremamente delicadas a resolver. Pequim criou uma nova "Rota da Seda", uma iniciativa política e econômica que atravessa a Ásia Central até a Europa e tem duas vias: uma terrestre e outra marítima. O plano foi batizado de “Um Cinturão, Uma Estrada”.

A abertura do corredor econômico China-Paquistão, em 2015, é uma via vital do plano, no entanto passa pela parte da Cachemira ocupada pelo governo paquistanês e reivindicada pela Índia. A forte oposição a esse projeto tem feito a Índia relutar em aceitar o convite para o ambicioso projeto chinês de reabilitar a Rota da Seda e tem exacerbado o os atritos entre os dois países.

Nessa semana, o governo chinês renomeou seis distritos ao longo de uma disputada região fronteiriça do Himalaia com a Índia. O movimento é visto como uma "retaliação" pela visita do líder religioso Dalai Lama ao território indiano esse mês.

"Brics Plus" é bem visto na Índia

A possibilidade de ampliação do Brics teve repercussão na imprensa indiana. O jornal India Today diz que a China luta por maior participação no cenário mundial através dos Brics e que esse é um esforço para barrar o unilateralismo e favorecer a globalização.

Já o Times of India afirma que a China quer incluir seus aliados no Brics e que o plano pode ferir os interesses indianos. Mohan Malik, professor do Centro de Estudos de Segurança da Ásia-Pacífico em Honolulu, nos Estados Unidos, um dos analistas ouvidos pela publicação, afirma que se ampliado, o grupo perderia o foco e se transformaria em uma plataforma política para a China.

A 9º Cúpula do BRICS acontece em setembro desse ano em Xiamen, na China.

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