rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês

Talibãs Afeganistão Conflito armado OTAN Estados Unidos Grupo Estado Islâmico

Publicado em • Modificado em

Talibãs realizam “Ofensiva de Primavera” contra forças estrangeiras no Afeganistão

media
Buracos de tiros na parede de uma mesquita na sede militar onde ocorreu um ataque taliban na semana passada em Mazar-i-Sharif, no norte do Afeganistão, em 25 de abril de 2017. REUTERS/Stringer

Os talibãs anunciaram nesta sexta-feira (28) o lançamento de sua "ofensiva de primavera", chamada de "Operação Mansuri", em homenagem ao seu antigo líder, indicando que seu principal alvo são as forças estrangeiras ainda dentro do país.  


O anúncio dos talibãs do Afeganistão acontece em um momento em que o exército se encontra sem o ministro da Defesa e o chefe do Estado-Maior. Ambos renunciaram após o ataque talibã contra uma base militar na semana passada, no norte do país, que deixou pelo menos 135 mortos, segundo o último balanço oficial.

Em seu comunicado, os talibãs informam que "os principais alvos da Operação Mansuri serão as forças estrangeiras, suas infraestruturas militares e de informação, e a eliminação de seus mercenários locais", termo que usam para se referir aos soldados e policiais afegãos que colaboram com outros países.

O Ministério do Interior afegão tentou menosprezar as ameaças: "essa ofensiva não tem nada de nova, todos os anos publicam o mesmo comunicado, mas suas operações fracassam", declarou seu porta-voz. Já o chefe do Pentágono, o general Jim Mattis, em viagem oficial na segunda-feira a Cabul, previu "um ano difícil" para o país.

Dia dos Mujahedines

O anúncio dos talibãs coincide com o chamado "dia dos mujahedines", em homenagem aos combatentes que desde a invasão soviética sacrificaram suas vidas para libertar o país.

Para celebrar esta tradição, os talibãs pediram que seus simpatizantes lancem ataques suicidas, ataques complexos e operações "de dentro", quando soldados e policiais investem contra seus próprios companheiros. É o caso do ataque contra a base do 209º Corpo do Exército no dia 21 de abril no norte, reivindicado pelos talibãs. Quatro dos assaltantes haviam servido anteriormente nesta base.

A ofensiva leva o nome do mulá Mansur, assassinado no dia 22 maio de 2016 por um drone americano no Paquistão. Mansur havia sucedido o líder histórico, o mulá Omar, cuja morte foi anunciada em julho de 2015. Os talibãs, que se sentem fortalecidos por suas conquistas territoriais, prometem operar simultaneamente "em dois eixos, militar e político".

Comando “fraco e corrupto”

Cerca de 12 mil soldados das forças ocidentais, incluindo 8,4 mil americanos, estão mobilizados no Afeganistão pela Otan, que lançou a "Operação Resolute Support" para formar e apoiar as forças afegãs após a retirada da maioria das forças estrangeiras, em 2014. No entanto, apesar deste apoio, o exército e a polícia afegãos sofrem grandes perdas e controlam apenas 57% dos distritos do país, segundo o Sigar, um organismo do Congresso em Washington que administra as atividades e os gastos americanos no país.

Minadas pelas deserções e por um comando fraco, frequentemente corrupto e denunciado pelos americanos, as forças afegãs enfrentam importantes baixas, com um aumento de 45% em 2016, segundo o Sigar, contabilizando cerca de 7 mil policiais e soldados mortos nos primeiros nove meses.

O general norte-americano John Nicholson, comandante do contingente americano em Cabul, estimou em fevereiro que serão necessários alguns milhares de soldados adicionais para acabar com os insurgentes. Além dos talibãs, um braço local do grupo extremista Estado Islâmico também enfrenta o governo de Cabul, no leste. Desde o início do mês, três soldados americanos morreram nestes combates.