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Em Israel, Trump tenta reativar diálogos de paz entre palestinos e israelenses

O presidente americano, Donald Trump, chega nesta segunda-feira (22) a Israel, segundo destino de sua primeira viagem internacional, que começou no sábado na Arábia Saudita. O principal objetivo da visita é colocar em prática uma de suas promessas de campanha, reativar as arrastadas negociações de paz entre israelenses e palestinos.

Daniela Kresch, correspondente da RFI em Tel Aviv

O presidente Donald Trump desembarca em Israel pouco depois do meio-dia local (6h da manhã, horário de Brasília) para uma viagem de 30 horas. Trump começará a visita encontrando o presidente israelense, Reuven Rivlin, na residência presidencial, em Jerusalém. Mais de 10 mil policiais e soldados estão espalhados pela cidade e mais de 70 ruas foram fechadas. Agentes de segurança, estão até mesmo retirando pessoas de casas próximas ao caminho do presidente e sua comitiva de 900 pessoas.
 
Trump deve visitar o Muro das Lamentações e a Igreja do Santo Sepulcro – locais sagrados para judeus e cristãos – antes de se encontrar com o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu. A primeira-dama americana, Melania Trump, também cumprirá uma agenda própria, visitando o Hospital Hadassah, o maior do país.
 
Na terça-feira (23), o primeiro compromisso de Trump é em Belém, na Cisjordânia, onde vai se encontrar com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. Em seguida, volta a Jerusalém para ir ao Museu do Holocausto e para fazer um discurso, antes de partir.
 
Renovação das negociações de paz
 
Ao que tudo indica, não haverá um anúncio assim tão bombástico, apesar de Trump ter dito, em sua campanha eleitoral, que, se eleito, realizaria o acordo e encerraria o capítulo entre os dois lados. Em diversas entrevistas recentes, o presidente americano disse estar trabalhando muito para cumprir sua meta, mas o clima entre os dois lados não é nada amistoso.

Trump talvez consiga, no entanto, anunciar algum tipo de gesto de boa vontade mútuo. Talvez não seja concidência o fato de que o primeiro-ministro Netanyahu anunciou, no domingo (21), algumas medidas para aliviar a situação dos palestinos na Cisjordânia, incluindo a permissão para que eles possam construir casas em áreas até agora proibidas.

Relação entre Trump e Netanyahu
 
Netanyahu não esconde que se sente mais confortável com o governo Trump, depois de anos de um relacionamento tenso com o ex-presidente Barack Obama. Mas nem tudo são flores. O premiê israelense comemorou a eleição de Donald Trump por causa de seu discurso abertamente pró-Israel e suas promessas de campanha. Mas, até agora, essas promessas não saíram do papel, o que está irritando alguns aliados de Netanyahu, principalmente os partidos de extrema-direita.
 
A principal promessa foi a de transferir a embaixada americana de Tel Aviv para Jerusalém – o que desafia a posição das Nações Unidas de que a cidade deveria ser internacionalizada. Depois da criação de Israel, em 1948, a cidade acabou sendo dividida entre israelenses e jordanianos, situação que a ONU nunca reconheceu. Há 50 anos, depois de vencer a Guerra dos Seis Dias, Israel anexou os dois lados da cidade.
 
Vários presidentes americanos prometeram transferir a embaixada, reconhecendo Jerusalém como capital de Israel. Mas nenhum deles o fez por temor da reação do mundo árabe a essa medida.

Escolha do itinerário
 
A viagem internacional de Trump também incluiu a Arábia Saudita e a Itália. O presidente americano escolheu esse itinerário por dois motivos: primeiro, para demonstrar fortes vínculos do governo Trump com seus aliados no Oriente Médio e mandar uma mensagem para o Irã de que os Estados Unidos contam com o apoio do berço do islamismo.
 
Foi por isso que Trump não só escolheu a Arábia Saudita como primeira parada como se reuniu, no domingo, com líderes de dezenas de países de maioria muçulmana. No local, ele fez um discurso no qual tentou reverter a impressão de que tem algo contra o Islã.
 
O presidente americano também disse que não quer “impor” o modo de vida ocidental e sim buscar apoio contra o terrorismo, numa mensagem oposta a da campanha eleitoral, na qual disse que o Islã “odeia” os Estados Unidos e que barraria a entrada de todos os muçulmanos no país. Depois de eleito, Trump cumpriu parcialmente a promessa ao banir cidadãos de sete países muçulmanos, medida depois derrubada pela Justiça americana.
 
A segunda mensagem do itinerário é a de que Trump não favorece nenhuma das três grandes religiões monoteístas: primeiro, afagou os muçulmanos na Arábia Saudita, depois os judeus em Israel e, na quarta-feira, irá ao Vaticano se encontrar com o Papa Francisco.
 
Antes de voltar para casa, onde enfrenta uma série de escândalos, Trump também participará das reuniões da OTAN, em Bruxelas, e do G7, na Sicília. Na Itália, ele terá que convencer os líderes de que os americanos continuarão engajados em assuntos internacionais, apesar de sua promessa de que, se fosse eleito, colocaria a América em primeiro lugar.

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