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Alzheimer é "doença do futuro", diz neurocientista brasileira em Israel

A neurocientista Michal Schnaider Beeri se divide entre dois hospitais, um em Israel e outro, nos Estados Unidos. Em Tel Aviv, ela é diretora do Centro Sagol de Neurociência do Hospital Sheeba. Em Nova York, para onde viaja pelo menos quatro vezes por ano, é professora-assistente do Hospital Mount Sinai.

Daniela Kresch, correspondente da RFI em Tel Aviv

Mas, entre tantos compromissos, ela não esquece as origens latinoamericanas: Michal é filha de pai brasileiro e mãe chilena. Mas é brasileira que ela mais se sente. Ela passou a maioria da infância e juventude no Rio de Janeiro até que, aos 17 anos, se mudou para Israel.

Hoje, ela é um dos principais nomes no estudo do Mal de Alzheimer, doença que ainda não tem cura, mas tem prevenção.“A minha pesquisa foca no desenvolvimento da Doença de Alzheimer”, conta Michal. “O meu interesse principal são os fatores de risco e fatores de proteção e a maioria do meu trabalho nos Estados Unidos constitui pesquisar grupos grandes de pessoas e tentar coletar dados, o máximo possível de dados sobre as pessoas, sobre as doenças, sobre o lifestyle, sobre sangue, fazer ressonância magnética do cérebro e etc para poder ver essas pessoas e verificar a a situação cognitiva deles durante anos e anos e ver quais esses fatores que estão predizendo a doença ou fatores de proteção, fatores que, apesar de você estar ficando velho, você ainda não tem a doença”, afirma.

Poliglota

Falar quatro línguas – português, espanhol, inglês e hebraico – ajudou na vida profissional e pessoal. Michal fala com os irmãos em português, com a mãe em espanhol, hebraico com o marido e os três filhos e inglês com os colegas de trabalho nos Estados Unidos, onde morou por dez anos, de 2001 a 2011. Com o aumento da imigração de brasileiros para Israel por causa da crise econômica, ela tem usado bastante o português para ajudar novos imigrantes a se adaptar no país.

A língua brasileira também ajuda profissionalmente. Mas o espanhol ajuda mais ainda.“Olha, para ser sincera, o que ajudou foi o espanhol. Porque, nos Estados Unidos, quando eu cheguei, em 2001, em Mount Sinai especificamente, em Columbia também, não havia quase pessoas que falavam espanhol e que tinham PhD”, diz a neurocientista. “Então eu acho que, nas entrevistas que eu fiz, eles podiam estar até meio interessados no que eu falava, mas na hora em que eu falava que eu sou fluente em espanhol, eu sentia aquela coisa de: 'boom, you have a job'”.

Fatores de risco

Tanto em Israel quanto nos Estados Unidos, Michal pesquisa o desenvolvimento da doença de Alzheimer em humanos. Ela identifica diversos fatores de risco, além da genética. Os mais conhecidos são diabetes e seus sintomas, hipertensão, níveis altos de colesterol e triglicerídios, excesso de peso e estresse.

Quem quiser evitar ter a doença de Alzheimer, no futuro, precisa levar uma vida saudável para o coração e também para a mente. “O que faz mal para o coração, faz mal para o cérebro”, explica Michal. “Ou seja, se vocês cuidam do seu peso, fazem ginástica, não fumam, se esforçam para comer bem para não ter colesterol alto, não ter hipertensão, e ativam o cérebro... Mas ativar, ativar! Às vezes as pessoas dizem: ‘ah, eu leio jornal’. Eu falo: ‘ler jornal é bobeira’. Primeiro porque é triste ler jornal, mas também porque o que a gente procura é uma atividade mental esforçada de uma forma um pouco parecida com o músculo. Se você para de fazer ginástica, para de fortalecer o músuculo, o músculo vai diminuir”, explica.

Doença do futuro

Para Michal Schnaider Beeri, o mundo precisa se preparar para um futuro com cada vez mais idosos e, portanto, cada vez mais Alzheimer. A doença só foi identificada há pouco mais de 100 anos porque, antes disso, não era comum que alguém vivesse mais do que 50 anos. Hoje, de 2% a 4% das pessoas com mais de 65 anos apresentam sinais de Alzheimer e metade das pessoas com mais de 85 anos, têm a doença.

Quer dizer: se, por um lado, o desenvolvimento da medicina e da tecnologia fez os seres humanos viverem mais, por outro, abriu uma caixa de Pandora de novas patologias.

“Se vocês forem para a África, vão ver que, infelizmente, porque a mortalidade é tão grande lá, praticamente não se tem Alzheimer. E, no mundo moderno, onde a medicina está melhorando tanto e que os nossos filhos vão, provavelmente, viver até 100 anos, a doença está ficando cada vez mais prevalente. E eu acho que, quando a gente começar a passar os 100, os 110 anos, o que provavelmente vai acontecer, vamos nos deparar com doenças novas, as quais ainda não conhecemos”, finaliza a neurocientista.

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