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Coreia do Norte revela plano de ataque aos Estados Unidos

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Kim Jong-Un planeja atacar a ilha de Guam, base norte-americana no oceano Pacífico. © Reuters

O governo da Coreia do Norte confirmou nesta quinta-feira (10) que planeja disparar quatro mísseis contra a ilha americana de Guam, no Pacífico, alegando que apenas a força faz sentido para o presidente Donald Trump, alguém que "perdeu a cabeça".


"Um diálogo sensato é impossível com um sujeito assim, desprovido de razão. Com ele só funciona a força absoluta", indicou a agência estatal KCNA, citando o general norte-coreano Kim Rak Gyom.

Segundo Kim Rak Gyom, o plano de ataque estará pronto em meados de agosto, e consiste em lançar quatro mísseis que sobrevoarão o Japão, após o aval do líder Kim Jong-Un.

Fogo e fúria

A ameaça ocorre após os Estados Unidos advertirem os norte-coreanos, na quarta-feira (9), de que o país está arriscando a sua "destruição" se continuar com o programa armamentista.

Donald Trump destacou o poder nuclear americano diante da crescente inquietação internacional, um dia depois de prometer "fogo e fúria" a Pyongyang "como o mundo nunca viu".

"Espero que nunca tenhamos que usar esse poder", acrescentou Trump, após a sua advertência sem precedentes ao governo de Kim Jong-Un, que ameaça atacar o território americano com mísseis nucleares.

Longe de apaziguar a situação, o secretário americano de Defesa, Jim Mattis, pediu que a Coreia do norte "suspenda" o desenvolvimento de armas nucleares e pare de fomentar ações que podem acarretar “o fim do seu regime e à destruição de seu povo".

Em sintonia com os tuítes de Trump, o chefe do Pentágono minimizou o poderio militar de Pyongyang, afirmando que "perderia qualquer corrida armamentista ou conflito que começasse" com os Estados Unidos.

Repercussão internacional

Os tuítes de Trump e sua declaração de terça-feira, feita no seu clube de golfe em Nova Jersey, onde está de férias, afetaram a queda do dólar, as principais bolsas mundiais e despertaram inquietações.

Nesta quinta-feira, o Japão afirmou que "jamais poderá tolerar as provocações" de Pyongyang. "Apelamos firmemente à Coreia do Norte para que leve a sério as reiteradas advertências da comunidade internacional, acate as resoluções da ONU e se abstenha de realizar novas provocações", disse o porta-voz do governo japonês Yoshihide Suga.

O funcionário japonês destacou que "é muito importante manter o poder de dissuasão americano diante da gravidade da situação de segurança na região".

Na véspera, a China exortou que se evitem "as palavras e os atos suscetíveis" de agravar a situação, enquanto Berlim pediu "moderação" às partes.

A França, no entanto, elogiou a "determinação" de Trump ante Pyongyang.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, se mostrou "preocupado", e pediu por meio de seu porta-voz que reduzam as tensões e apelem para a diplomacia.

A pedido de Washington, a Organização das Nações Unidas endureceu há alguns dias as sanções contra Pyongyang, que poderão custar ao governo norte-coreano um bilhão de dólares anuais.

“Não há para onde correr”

Os Estados Unidos descartam uma "ameaça iminente" para Guam, um estratégico enclave militar, onde 6.000 soldados estão estacionados, confiando que a pressão diplomática irá prevalecer.

"Acho que os americanos devem dormir bem, sem nenhuma preocupação sobre esta retórica dos últimos dias", disse o chefe da Diplomacia americana, Rex Tillerson, após justificar a "mensagem forte" do presidente Trump "em uma linguagem que Kim Jong-Un pode compreender".

Sobre o fato de os comentário de Trump surpreenderem o seu círculo mais próximo, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, disse que o Conselho de Segurança Nacional e outros funcionários sabiam que "o presidente iria responder [...] com uma mensagem forte em termos inequívocos".

A remota e paradisíaca ilha de Guam, de apenas 550 km2, onde vivem 162.000 pessoas, em sua maioria dedicados ao turismo, permanecia calma nesta quarta-feira diante da ameaça norte-coreana. O governador, Eddie Calvo, minimizou os atos de Pyongyang, mas assinalou que o território está "preparado para qualquer eventualidade".

"Não é que haja algo que possamos fazer realmente, esta é uma ilha pequena, não há para onde correr", disse o morador James Cruz à AFP, da capital Hagåtña.

Rápido avanço

A retórica de Trump tem apresentado uma escalada em relação a Pyongyang, após dois testes bem-sucedidos de mísseis balísticos intercontinentais por parte do governo de Kim Jong-Un.

O primeiro teste, descrito pelo líder norte-coreano como um presente aos "bastardos americanos", mostrou que o dispositivo poderia alcançar o Alasca. O segundo sugeriu que poderia chegar até Nova York.

Na terça-feira, o jornal The Washington Post relatou que a Coreia do Norte teria a capacidade de colocar pequenas ogivas nucleares nestes mísseis, segundo um relatório da Agência de Inteligência de Defesa.

O Post também assinalou que outra avaliação da Inteligência considerou que a Coreia do Norte tem agora até 60 armas nucleares, mais do que se pensava.

Alguns especialistas asseguram que Pyongyang ainda deve superar obstáculos técnicos, em especial para conseguir fazer uma miniatura de uma ogiva nuclear para introduzi-la com sucesso em um míssil.

Apesar das discrepâncias, todas estão de acordo que a Coreia do Norte avança rapidamente em sua corrida de armas nucleares desde a chegada de Kim Jong-Un ao poder, em dezembro de 2011.

(AFP)