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Seca e sanções fazem Coreia do Norte baixar tom de ameaça aos EUA

Por RFI

Poucos dias depois de o presidente americano Donald Trump usar palavras como “fogo e fúria” para se referir a repostas que estaria preparado para dar à Coreia do Norte, o líder norte-coreano Ki Jong-Un disse hoje estar “observando a conduta dos Estados Unidos” e que ainda não descartou atacar a base americana de Guam no Pacífico, num gesto interpretado como uma desescalada da tensão entre os dois países. A panela de pressão na península da Coreia parece finalmente ter abaixado o fogo.

Vivian Oswald, correspondente da RFI em Pequim

A China impôs novas sanções comerciais aos vizinhos e Pyongyang baixou o tom de ameaça aos Estados Unidos. A partir desta terça-feira (15), a China suspendeu todas as importações de carvão, ferro, minério de ferro e frutos do mar da Coreia do Norte. A medida não chega a ser uma novidade. Estava prevista nas sanções da nova resolução do Conselho de Segurança da ONU aprovada no dia 6 de agosto. Mas o seu anúncio feito em alto e bom som pelos chineses na segunda-feira (14) traz algumas mensagens importantes a serem lidas.

A primeira é que a China está cumprindo à risca o que prevê mais esta resolução da ONU. Vamos lembrar aqui que os americanos têm dito que os chineses, principais aliados norte-coreanos, têm feito pouco para resolver o problema na península da Coreia. A segunda é que a Coreia do Norte passa a deixar de contar com uma receita de extrema importância para o regime.

Estes são itens de peso da pauta de exportação norte-coreana. E aqui cabe destacar também que a China fica com pouco mais de 90% de tudo o que a Coreia do Norte exporta. Ou seja, trata-se de um importante revés econômico para o país. Tudo isso fez com que a Coreia do Norte tenha dado sinais de que não quer guerra. O mesmo está acontecendo com os Estados Unidos.

A Coreia do Norte e as sanções

A Coreia do Norte já se encontrava sob sanções, e bem duras. Segundo especialistas, todas as restrição que foram impostas aos norte-coreanos começam a afetar sua economia de maneira mais grave este ano.

Além disso, a Coreia do Norte enfrenta uma grande seca, que já afetou a primeira das suas safras anuais. Ou seja, a economia já está fragilizada. Esses produtos cortados agora são muitos importantes como forma de receita para o país e podem representar um corte de até US$ 1 bilhão por ano em recursos. É claro que isso não deve ser suficiente para convencê-los a suspender o seu programa nuclear, nem de lançamento de mísseis de longa distância. Mas reduz ainda mais a sua capacidade de enfrentamento.

Com 25 milhões de habitantes, a Coreia do Norte é o país com quarto maior exército do mundo em números absolutos. São algo em torno de 1,2 milhão de pessoas. É o maior exército do planeta em termos relativos, pois 5% da população é de militares. É muita gente para se manter com alimentos e armamentos. Aliás, isso é uma preocupação, porque o que se especula é que essa limitação os obrigaria a agir depressa em um enfrentamento e até tomar medidas desesperadas para obter resultados, como lançar mão de armas nucleares.

Chances de um conflito militar ?

Os especialistas dizem que a possibilidade de um conflito militar não pode ser descartada. Mas é muito pouco provável que aconteça pelos riscos que oferece, as chances são muito pequenas. Uma guerra na península na Coreia teria efeitos dramáticos. Há quem diga que poderia haver mais mortes do que na Segunda Guerra mundial. Seriam dezenas de milhões de mortos. E ninguém quer correr esse risco. O clima de animosidade e provocações não ajuda. Enquanto estiver só na retórica, tudo bem. O problema é que quando o ambiente é assim tenso, aumenta as chances de interpretações equivocadas e acidentes.

Na semana passada,o embaixador do Brasil na Coreia do Sul, Luis Serra, em entrevista à RFI, usou a imagem de um eletrocardiograma para entendermos o nível de tensão. Hoje, está um pouco menor do que na semana passada. Mas ainda acima do que estava em maio e junho.

Abril, segundo ele, foi o pior momento, quando aconteceram os exercícios militares conjuntos entre Estados Unidos e Coreia do Sul e o deslocamento do porta-aviões para a península. O que vemos atualmente é que a agência estatal da Coreia do Norte disse que, apesar de Kim Jong-Un ter sido apresentado à proposta de lançamento contra a ilha na Oceania, ele ainda pretende acompanhar as ações americanas para prevenir um confronto.

A China voltou a defender o plano de dupla de suspensão para resolver a crise. Isso significaria que os Estados Unidos suspenderia a base antimíssil que estão fazendo com a Coreia do Sul e os norte-coreanos desistiram dos seus programas de mísseis e nuclear. Temos que ver agora a disposição das partes de se sentarem à mesa.

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