rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês

Eleição presidencial Angola

Publicado em • Modificado em

Em Angola, MPLA vence presidencial e Santos sai, após 38 anos no poder

media
Partidários do novo presidente João Lourenço, reunidos pouco antes das eleições © REUTERS/Stephen Eisenhamme

O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido no poder há quatro décadas, venceu as eleições desta semana com ampla vantagem. O candidato do partido, João Lourenço, vai suceder José Eduardo dos Santos, que governa o país há 38 anos.


A Comissão Eleitoral Nacional informou, nesta quinta-feira (24), em Luanda, que o MPLA teve 64% dos votos.

O partido, que governa Angola desde sua independência de Portugal, em 1975, já tinha previsto que ganharia com folga, mas o resultado mostrou uma retração do apoio desde as eleições de 2012. Santos, um líder misterioso e muito criticado, anunciou sua aposentadoria no começo desse ano e selecionou seu sucessor, Lourenço, de 63 anos, um veterano leal ao partido, que foi ministro da Defesa até recentemente. Lourenço se comprometeu a ampliar os investimentos estrangeiros e disse que quer ser reconhecido como um líder que levou o "milagre econômico" ao país do sudoeste africano.

Antes das eleições desta quarta-feira (23), os dois principais partidos opositores, a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) e a coligação eleitoral Convergência Ampla de Salvação de Angola (Casa-CE), acusaram a campanha de não ter sido conduzida de forma justa.

Ambos se queixaram de ter tido menos acesso à mídia e afirmaram que eleitores de regiões opositoras foram forçados a votar longe de suas casas. A UNITA teve 24% dos votos, e a Casa-CE, 8,5%, segundo os resultados. Os partidos de oposição esperavam faturar com a revolta do eleitorado em temas como a inflação, que chegou a 40% no ano passado, as baixas taxas de crescimento e o alto desemprego.

Apesar de ser rica em petróleo e diamantes, Angola é um dos países mais pobres da África. Antes dos resultados serem divulgados, o porta-voz do comitê central do MPLA João Martins declarou à mídia local que a vitória do partido era "inequívoca e virtualmente inevitável". O longo governo de Santos acompanhou toda a violenta guerra civil do país, entre 1975 e 2002, e um boom de investimentos pós-conflito, estimulado pela exploração das reservas de petróleo.

Esperança de mudanças

Em 2014, o colapso dos preços do petróleo atingiu em cheio o país. "Estou esperando as coisas mudarem, ter mais trabalho, mais escolas, mais hospitais e tudo mais", disse a eleitora do MPLA Rosária Almeida, quando depositava seu voto. O MPLA, que teve 72% dos votos nas eleições de 2012, financiou recentemente uma onda de projetos de infraestrutura, aparentemente para conseguir mais apoio entre os 9,3 milhões de eleitores registrados em Angola.

Boatos acerca do seu estado de saúde têm rondado Dos Santos, com suas visitas regulares a Espanha por motivos "particulares". A Anistia Internacional pediu para o próximo presidente de Angola "guiar o país para fora do espiral de opressão" e criticou o "registro terrível de direitos humanos" de Dos Santos.

Críticos acusam o mandatário de suprimir implacavelmente qualquer dissidência e enriquecer sua família e a elite governante.

(Com informações da AFP)