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"Coreia do Norte não busca a guerra", estima especialista

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A crise na península coreana é a manchete do jornal francês Aujourd'hui en France desta terça-feira (5). Captura de vídeo

A crise nuclear na península coreana é a principal manchete da imprensa francesa nesta terça-feira (5). Na primeira capa, o jornal Aujourd'hui en France ressalta que ao testar uma bomba nuclear superpotente, o incontrolável ditador norte-coreano, Kim Jong Un, deixa a comunidade internacional em polvorosa. A questão em aberto é até onde ele pode chegar.


O cientista político francês Pascal Boniface, fundador do respeitado Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas de Paris (Iris), explica nas páginas do Aujourd'hui en France que os testes nucleares feitos pela Coreia do Norte têm um único objetivo: a sobrevivência política de Kim Jong Un. O especialista diz que o dirigente norte-coreano pode ser detestável aos olhos do mundo, mas não é maluco, como se ouve falar com frequência.

Segundo Boniface, a economia da Coreia do Norte vai muito mal. Ele acredita que o regime comunista norte-coreano, "um misto de sistema stalinista e monarquia absolutista hereditária" , busca sobreviver politicamente, utilizando a dissuasão nuclear contra as ameaças internas e externas. Na visão do especialista, o ditador Kim Jong Un quer evitar ter o mesmo fim de Muamar Kadhafi, na Líbia, ou de Saddam Hussein, no Iraque. Sob esse ângulo, ele age de maneira racional. Boniface não acredita que ele vá deflagar uma guerra nuclear. Toda a estratégia do líder norte-coreano é baseada na dissuasão, insiste o diretor do Iris.

"Trump consegue irritar todo mundo"

O diário econômico Les Echos mostra que o presidente americano, Donald Trump, irrita a comunidade internacional ao reafirmar que uma intervenção militar contra Pyongyang não está descartada. Com esse discurso, "Trump consegue aborrecer seus principais aliados na região – Japão e Coreia do Sul". "Irrita também a China, ao acenar com uma eventual ruptura das relações comerciais, devido aos vínculos comercias de Pequim e de outras capitais com a Coreia do Norte." Esse dasacordo entre os ocidentais dá um grande prazer a Pyongyang, que ganha tempo e continua distribuindo as cartas do jogo, avalia o Les Echos.

O diário conservador Le Figaro destaca que a Suíça se ofereceu para mediar a crise coreana. A presidente suíça, Doris Leuthard, disse nesta segunda-feira (4) que "está na hora de sentar à mesa de negociações". No passado, soldados suíços participaram do patrulhamento da zona desmilitarizada entre as duas Coreias. A Suíça tem uma grande tradição de mediação e neutralidade diplomática, recorda o jornal, destacando que o dirigente norte-coreano, Kim Jong Un, estudou em Berna quando era jovem, o que pode dar credibilidade à essa proposta.