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Israel perdeu duas oportunidades de capturar o genocida nazista Mengele

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Mengele escapou duas vezes do serviço secreto israelense Reprodução

O Mossad, serviço secreto de Israel, perdeu pelo menos em duas ocasiões a oportunidade de capturar o fugitivo nazista Josef Mengele, que mandou milhares de judeus para a morte no campo de concentração de Auschwitz. Ele morreu no Brasil em 1979.


Rafi Eitan, que dirigiu o comando que capturou em 1960 o líder nazista Adolf Eichmann na Argentina, relatou, nesta terça-feira (5), à rádio pública israelense que ele e sua equipe descobriram o esconderijo do nazista.

"Quando capturamos Eichmann, Mengele vivia em Buenos Aires. Encontramos seu apartamento e o mantivemos sob vigilância", contou. Neste momento, o serviço secreto israelense tornou público documentos sobre as operações para capturar aquele que os prisioneiros chamavam de "Anjo da Morte".

Eitan, de 90 anos, afirmou que, enquanto o Mossad mantinha Eichmann em lugar seguro depois de ter sido preso, o chefe da agência, Issar Harel, também quis agir contra Mengele, mas que ele se opôs ao plano.

"Não queria realizar duas operações ao mesmo tempo, porque já havíamos tido sucesso na primeira e, na minha experiência, se tentamos outra operação, coloca-se ambas em perigo", afirmou Eitan.

Não perder o rastro

Esse agente permaneceu na Argentina para não perder o rastro de Mengele, enquanto seus colegas levavam Eichman para Israel, onde depois foi julgado e condenado à forca.

Mengele desapareceu de seu apartamento, e seus vizinhos disseram que ele voltaria em uma semana, relata.

"Esperamos uma semana, mas a prisão foi anunciada no mundo todo. Então Mengele nunca mais voltou para seu apartamento em Buenos Aires", completou.

O Mossad voltou a localizá-lo outra vez no final de 1962, no Brasil, vivendo "como um fazendeiro, perto de São Paulo".

A direção da agência israelense não autorizou, porém, a operação contra Mengele, considerando que havia outras prioridades no mundo, explica Eitan. Mengele morreu afogado, por acidente, em 1979, ainda no Brasil.