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China setor automobilístico Combustíveis Fósseis

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Possível proibição de carros a diesel e gasolina na China pode sacudir mercado mundial

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Chineses cogitam proibir a produção e a venda de veículos que usam combustíveis fósseis (gasolina e diesel). CHINA OUT AFP PHOTO

A China analisa a possibilidade de proibir a produção e a venda de veículos que utilizam combustíveis fósseis (gasolina e diesel). A decisão poderia revolucionar o setor a nível mundial e dar um impulso definitivo aos carros elétricos.


O anúncio foi feito pelo vice-ministro chinês da Indústria e de Tecnologias da Informação, Xin Guobin, em um fórum organizado no fim de semana na cidade de Tianjin (norte). Segundo ele, o ministério já teria iniciado "estudos pertinentes" sobre a questão e está trabalhando em um calendário.

"Estas medidas fomentarão mudanças profundas no meio ambiente e devem estimular a indústria automobilística chinesa", afirmou Xin ao canal estatal CCTV. "As empresas deveriam se esforçar para melhorar o nível de economia de energia dos carros tradicionais e desenvolver vigorosamente veículos elétricos", completou. Apesar de o governo de Pequim não ter divulgado datas concretas, as ações das montadoras chinesas registraram queda nesta segunda-feira no mercado financeiro, enquanto as ações da BYD, líder chinesa dos carros elétricos, fecharam em alta de 4%.

"Se os chineses disserem não aos motores movidos a combustão (diesel e gasolina), o resto do mundo fará o mesmo, pois ninguém pode abrir mão da China. É um mercado muito grande”, analisa Bill Russo, diretor da consultoria GaoFeng Advisory, em Xangai, especializada no assunto.

Para o especialista, Pequim quer fazer com que o declínio desses tipos de motor aconteça seguindo um calendário que permitiria às montadoras chinesas elaborar suas soluções. “Incentivar os carros elétricos também significa preparar o mercado para as marcas chinesas”, que ainda não dispõem de todas as técnicas ocidentais. 

Processo deve ser longo

O presidente da associação nacional de carros de passeio, Cui Dongshu, citou um "processo longo". "Poderemos obter um avanço significativo nos carros de passeio até 2040 ou inclusive antes, mas para os demais, como os caminhões pesados, será difícil", completou.

A China, segunda maior economia mundial, fabricou e vendeu em 2016 mais de 28 milhões de veículos, segundo a Organização Internacional de Montadoras de Automóveis. Do total, apenas 500 mil eram carros elétricos, mas o número já representa 50% a mais que no ano anterior.

Seguindo a tendência de países ocidentais, em junho deste ano, o governo aprovou um projeto de lei para obrigar as montadoras a produzir mais veículos elétricos até 2020, com um novo sistema de cotas obrigatórias, mais complexo que o atual. Ao mesmo tempo, as montadoras estrangeiras presentes na China começaram a preparar-se para a transição aos carros elétricos no gigante asiático.

Montadoras se mobilizam

A Volvo pretende vender o primeiro carro 100% elétrico na China em 2019. A Ford anunciou seu primeiro veículo híbrido para o início de 2018 e prevê que 70% de seus automóveis na China sejam elétricos, ao menos parcialmente, até 2025.

A Volkswagen vendeu quatro milhões de carros em 2016 no país, mas poucos eram "verdes". O grupo alemão pretende começar a fabricar carros elétricos no próximo ano graças a uma aliança com o grupo local JAC. A empresa espera vender 400 mil veículos eléctricos na China até 2020.

A francesa Renault, que começou a produzir carros no país no ano passado, apresentará em 2018 e 2019 dois novos modelos elétricos.

(Com informações da AFP)