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Dinamarca quer criar creches exclusivas para crianças sem vacinas

Por RFI

Na Dinamarca, políticos estudam a possibilidade de tornar algumas creches e jardins-de-infância exclusivos para crianças que não receberem a vacinação infantil. Os políticos querem evitar que elas contaminem as que ainda não receberam ou que não podem ser imunizadas.

Margareth Marmori, correspondente da RFI na Dinamarca

A adesão ao programa de vacinação infantil é baixa no país. A cobertura da vacina tríplice, que protege contra o sarampo, a rubéola e a caxumba, está abaixo de 90% e não alcança a meta definida pela Organização Mundial de Saúde, que é de 95% da população. Ao contrário do que acontece no Brasil, a vacinação infantil não é obrigatória, mas políticos dinamarqueses de diversos partidos estudam maneiras de forçar os pais a vacinarem seus filhos.

Uma das medidas estudadas é impedir ou restringir o acesso de crianças não vacinadas a creches, jardins de infância e escolas mantidas pelo estado. Segundo uma das propostas, os pais que não vacinarem os filhos perderiam o direito de escolher livremente creches e jardins-de-infância públicos para suas crianças. Assim, essas crianças teriam de usar instituições exclusivas para quem não for vacinado. De acordo com uma outra proposta, para se matricular numa dessas instituições, a criança não vacinada teria de ser aprovada pelos pais das crianças já imunizadas.

Adesão a vacinas é um problema

De acordo com o Ministério da Saúde da Dinamarca, o problema é realmente sério. Aqui, uma em cada dez crianças não recebeu a primeira dose da vacina tríplice. Quando se trata da segunda dose da tríplice, a situação é ainda pior. Uma em cada sete crianças não foi vacinada.

Segundo o Instituto do Soro da Dinamarca, a baixa cobertura da vacina tríplice não é só porque os pais são contra a vacinação. Três anos atrás, o Instituto fez uma pesquisa para descobrir o motivo de muitas crianças não serem vacinadas e descobriu que muito pais simplesmente se esquecem de vacinar os filhos.

Outros argumentaram que não tinham tido tempo para levar os filhos ao médico. Apenas 3% dos pais declararam abertamente que são contra a imunização. A preocupação com o problema aumentou depois do Ministério da Saúde revelar que três jovens da ilha da Zelândia, onde fica a capital do país, foram contaminados com sarampo depois de uma vigem à Polônia.

Falta de memória ou resistência é risco para a população

De acordo com as autoridades, a falta de memória ou a resistência dos pais representa um risco para a população em geral porque quanto mais pessoas desprotegidas, maior a possibilidade de um surto de uma dessas doenças.Há várias razões que explicam esse risco.

A primeira é que a vacina contra o sarampo e outras doenças infantis não tem 100% de eficácia. Portanto, há crianças que, mesmo vacinadas, podem ser contaminadas. Também há pessoas que, por motivos de saúde, não podem ser vacinadas e estariam mais sujeitas ao contágio. Além disso, aqui na Dinamarca, os bebês só são vacinados aos 15 meses de idade e, antes disso, também podem ser contaminados.

Apesar da gravidade da situação, especialistas duvidam que isolar as crianças não vacinadas ajude a resolver o problema. O professor em Virologia Experimental da Universidade de Copenhague, Allan Thomsen, por exemplo, em entrevista que deu ao jornal Politiken, disse ser contra a proposta. Para ele, isolar crianças não vacinadas pode até aumentar o risco de um surto de doenças infantis porque, nesse caso, a cadeia de infecção não seria interrompida.

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