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Mianmar Bangladesh Rohingyas

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Bangladesh leva crise dos rohingyas para Assembleia Geral da ONU

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Distribuição de comida para os refugiados rohingyas em Bangladesh. REUTERS/Mohammad Ponir Hossain

A crise dos rohingyas, perseguidos em Mianmar, vem suscitando reações da comunidade internacional. Enquanto a primeira-ministra de Bangladesh, Sheikh Hasina, se prepara para levar o tema para a Assembleia Geral da ONU, na França manifestantes protestam em sinal de solidariedade à minoria muçulmana.


A primeira-ministra de Bangladesh, Sheikh Hasina, embarcou neste sábado (16) rumo a Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU, onde pedirá a solidariedade internacional diante do fluxo em massa de mais de 400 mil rohingyas que fogem de Mianmar para seu país. Ela também vai solicitar a pressão das Nações Unidas para que os refugiados rohingyas sejam repatriados no território birmanês.

Nos campos onde os rohingyas se aglomeram em Bangladesh, "as necessidades são enormes, e as pessoas sofrem cada vez mais", advertiu a porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Marixie Mercado. Neste sábado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) começou a vacinar contra rubéola e sarampo as crianças, que representam 60% dos refugiados.

Em três semanas, o sul de Bangladesh, que faz fronteira com Mianmar, transformou-se em um dos maiores campos de refugiados do mundo. Os membros da minoria entram no país vizinho fugindo de uma campanha de repressão do Exército birmanês, em resposta aos ataques dos rebeldes rohingyas contra delegacias em 25 de agosto.

Tratados como estrangeiros na antiga Birmânia, país onde mais de 90% da população é budista, os rohingyas são considerados apátridas, apesar de alguns estarem instalados em Mianmar há gerações.

Protestos em Paris

Centenas de pessoas se reuniram na tarde deste sábado em Paris para pedir o fim da violência contra os rohingyas. Os manifestantes, que protestaram na esplanada do Trocadéro, diante da Torre Eiffel, solicitam a intervenção da comunidade internacional na crise.

Nesta semana, o Conselho de Segurança das Nações Unidas exigiu que Mianmar tome medidas imediatas para acabar com a "violência excessiva" no estado de Rakhin. Diante da magnitude do êxodo, a ONU já fala de  uma "limpeza étnica".

Mas para Nina Walch, do escritório francês da Anistia Internacional, que participou do protesto parisiense, a posição atual das Nações Unidas não é suficiente. “É preciso adotar uma resolução forte que condene as violências e que solicite o envio de observadores internacionais”.

“Nós também estamos muito decepcionados com o silêncio de Aung San Suu Kyi”, declarou ainda a representante da Anistia, em alusão à falta de reação da prêmio Nobel da Paz. “Nós sabemos que ela tem pouca margem de manobra, pois quem tem o poder no país é o Exército, mas ela tem uma responsabilidade, um dever moral e político de se pronunciar e condenar o que está acontecendo”. Aung San Suu Kyi, que deveria participar da Assembleia Geral da ONU, anulou sua viagem.