rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês

ONU Coreia do Norte EUA Coreia do Sul

Publicado em • Modificado em

Líderes mundiais discutem crise da Coreia do Norte e anunciam novas sanções

media
O presidente sul-coreano Moon Jae-in disse que não deseja o colpaso do vizinho e clama pelo gerenciamento estável da crise. Blue House/Yonhap/via REUTERS

Os Estados Unidos e a União Europeia (EU) concordaram nesta quinta-feira (21) em impor novas sanções unilaterais à Coreia do Norte, enquanto a Coreia do Sul advertiu as Nações Unidas do risco de acender acidentalmente uma guerra.


Depois de ameaçar "destruir totalmente a Coreia do Norte" em seu primeiro discurso à Assembleia Geral da ONU, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva dirigida a empresas estrangeiras que fazem negócios com a Coreia do Norte, aumentando a pressão sobre Pyongyang.

Além disso, os 28 estados-membros da União Europeia também deram sua aprovação à adoção de sanções extras contra Pyongyang em resposta a seus testes nucleares, segundo fontes diplomáticas.

Estas sanções serão acrescidas às adotadas pela ONU na semana passada e supõem uma proibição total para as empresas europeias de exportação petroleira ou investimentos na Coreia do Norte.

Trump disse que o banco central da China havia ordenado que bancos nacionais restringissem suas negociações com a Coreia do Norte, descrevendo o movimento como "muito ousado" e "inesperado".

Problema de peso

Nunca antes a ameaça norte-corana pesou tanto no encontro anual de líderes mundiais, divididos sobre a melhor maneira de enfrentar o isolado regime de Kim Jong-un, apesar de, em agosto e setembro, terem conseguido adotar por unanimidade novas sanções contra a Coreia do Norte.

A Coreia do Norte nas últimas semanas detonou sua sexta bomba nuclear e disparou mísseis intercontinentais - dizendo que precisa se defender contra a hostilidade dos Estados Unidos e seus aliados.

Washington e seus aliados esperam que as duras sanções econômicas influenciem Pyongyang a chegar à mesa e negociar o fim de seus programas nucleares e de mísseis.

A administração dos EUA se recusou a oferecer incentivos à Coreia do Norte para abrir negociações e aumentou as ameaças de ação militar para forçar o líder Kim Jong-Un - a quem Trump apelidou de "Homem Foguete" - a mudar de rumo.

Mas, num encontro com o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe e o presidente da Coréia do Sul, Moon Jae-in, Trump disse: "Por que não?", ao ser perguntado se poderia haver um diálogo com a Coreia do Norte.

Coréia do Sul adverte sobre confrontos "acidentais"

Em sua fala na Assembleia da ONU, Moon utilizou um tom diferente após o discurso ardente de Trump, dizendo que a crise precisa ser "gerenciada" para impedir o estouro acidental de uma guerra.

Moon disse que a Coreia do Sul não deseja o colapso de seu vizinho e que está pronta para ajudar caso Pyongyang decida “ficar do lado certo da história” e interromper suas provocações.

Antes do encontro com o chefe da Casa Branca, Moon pediu em seu discurso na ONU uma redução das tensões e alertou para o risco de uma guerra acidental. “A situação em torno da questão norte-coreana precisa ser gerenciada de forma estável, para que as tensões não se ou que confrontos militares acidentais destruam a paz”, ressaltou.

O líder sul-coreano, no entanto, expressou apoio a sanções, pedindo que todas as nações implementem a última resolução do Conselho de Segurança da ONU que proíbe as exportações de produtos têxteis da Coreia do Norte e encerra contratos para trabalhadores convidados.

Os Estados Unidos impuseram, separadamente, sanções unilaterais, algumas das quais têm como alvo empresas da China, principal parceiro econômico da Coreia do Norte.

Mas a ordem executiva ampliaria essa abordagem, em uma tentativa de forçar bancos chineses e importadores russos a decidir entre fazer negócios com a Coreia do Norte ou ser colocados na lista negra pelos Estados Unidos.

"Nossa nova ordem executiva cortará fontes de receita que financiam os esforços da Coreia do Norte para desenvolver as armas mais mortíferas conhecidas da humanidade", disse Trump.

Conselho de Segurança

Em uma reunião do Conselho de Segurança, nesta quinta-feira, o secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, deveria pressionar pela aplicação rigorosa de uma nova série de sanções internacionais visando as exportações da Coreia do Norte e seus fornecimentos de energia.

O conselho na semana passada adotou as últimas sanções, uma intensificação significativa das medidas punitivas destinadas a cortar a receita utilizada por Pyongyang para desenvolver seus programas militares. Mas seu impacto depende principalmente da China.

O ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Yi, e seu colega russo, Sergei Lavrov, que também falarão na Assembleia, fizeram um apelo ao diálogo e alertaram que uma opção militar seria catastrófica.

Em seu discurso na quarta-feira (20), Abe apoiou a posição dos Estados Unidos de que "todas as opções estão sobre a mesa" para dissuadir Kim.

Ameaças militares como tática

No Conselho de Segurança, que se reunirá nesta quinta-feira para debater a questão nuclear, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, defenderá a implementação completa das sanções internacionais adotadas contra Pyongyang.

Uma oitava bateria de sanções foi aprovada em 12 de setembro, proibindo as exportações de têxteis e reduzindo o fornecimento de petróleo para a Coreia do Norte. Moscou e Pequim propuseram uma dupla moratória: sobre os testes norte-coreanos e sobre os exercícios militares de Estados Unidos e Coreia do Sul.

Ao inaugurar a Assembleia Geral, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, alertou que "a retórica agressiva pode conduzir a mal-entendidos fatais e iniciar uma guerra nuclear".

No sábado (23), Guterres deve se reunir com o chanceler norte-coreano, Ri Yong-Ho, à margem da Assembleia, em busca da adesão ao diálogo.

O ministro Ri, que falará ao plenário nesta sexta, chamou as ameaças de Trump de "latido de cachorro" e disse que não terão qualquer impacto.