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Aumento do antissemitismo e ascensão da extrema-direita na Alemanha preocupam Israel

Por RFI

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, telefonou para a chanceler alemã, Angela Merkel, para dar os parabéns pela vitória nas eleições de domingo. Mas, por trás dessa formalidade, está a preocupação do premiê quanto ao sucesso da extrema-direita no pleito alemão. O Partido Alternativa para a Alemanha obteve 12,6% dos votos.

Daniela Kresch, correspondente da RFI em Israel

O telefonema foi breve, mas claro. O primeiro-ministro de Israel agradeceu à chanceler alemã, por, segundo ele, ser uma “verdadeira amiga do Estado de Israel e do Povo Judeu por muitos anos”. Benjamin Netanyahu afirmou estar certo de que a “relação especial” entre a Alemanha e Israel vai “continuar a se aprofundar” no quarto mandato de Merkel na liderança do país. Mas pediu para que o novo governo faça de tudo para “fortalecer as forças na Alemanha que aceitam a responsabilidade histórica” em relação a Israel.
 
Nas entrelinhas, que fortaleça os partidos que não se esquecem do Holocausto cometido pela Alemanha Nazista durante a Segunda Guerra Mundial, que matou 6 milhões de judeus. As palavras de Netanyahu demonstram a preocupação de Israel quanto ao sucesso do partido Alternativa para a Alemanha, que ficou em 3º lugar na votação, com 12,6% dos votos.
 
O partido se tornou o primeiro da extrema-direita a ter representação no Bundestag, o Parlamento alemão, em 70 anos. Em Israel, todos os meios de comunicação em Israel – de jornais a TVs, passando por rádio e sites na internet – demonstram essa mesma preocupação com o resultado das eleições.
 

Aumento do antissemitismo

Os israelenses estão apreensivos com o aumento do antissemitismo em alguns setores da política alemã, tanto na extrema-direita quanto na extrema-esquerda. Também se preocupam com uma possível mudança de posição do governo alemão em relação a Israel por causa da eleição do Alternativa para a Alemanha e o enfraquecimento dos grandes partidos.
 
Uma líder da comunidade judaica de Munique descreveu o resultado das eleições como um “pesadelo que se tornou realidade”. A Alemanha é, atualmente, o principal aliado de Israel na Europa, apoiando Israel em assuntos que outros países do continente não apoiam.
 
Os alemães, por exemplo não aceitam boicotes políticos e econômicos a Israel, por exemplo, em protesto à disputa de terras na região, taxada por muitos como “ocupação de terras palestinas”. Mas alguns membros da extrema-direita justamente defendem que isso mude.
 
Divergências sobre cooperação militar alemã
 
Um dos principais líderes do Alternativa para a Alemanha, Alexander Gauland, disse, por exemplo, que na plataforma do partido, não há nada que possa “incomodar os judeus que moram na Alemanha”. Mas Gauland hesitou em afirmar que concorda com a expressão repetida sempre por Angela Merkel de que “a razão de ser da Alemanha é a segurança de Israel”.
 
Em entrevista coletiva após as eleições do domingo passado, ele disse que seria um “assunto difícil”, por exemplo, enviar soldados alemães para defender Israel no conflito com os palestinos. Segundo ele, os alemães não deveriam sacrificar suas vidas por Israel.
 
A afirmação não foi bem recebida pela imprensa israelense, até porque um deslocamento de tropas alemãs para o país nunca foi pedido ou até mesmo cogitado. O máximo de envolvimento militar negociado é a compra de submarinos alemães pelo exército israelense e a cooperação em levantamento de dados.

"Orgulho de soldados na Segunda Guerra Mundial"
 
A plataforma do partido Alternativa para a Alemanha não faz menção a Israel. Na prática, apesar de o partido ser taxado de antissemita e islamofóbico, a maioria de seus membros diz apoiar o país.

Segundo uma pesquisa recente publicada pelo jornal “The Times of Israel”, 95% dos políticos do Alternativa para a Alemanha disseram rejeitar a criação de um Estado Palestino de modo unilateral. E afirmaram apoiar a exigência do primeiro-ministro de Israel de que os palestinos devem reconhecer Israel como um Estado Judeu. Mas, por outro lado, muitos membros do partido, principalmente os que flertam com o neonazimo, pregam o fim do arrependimento dos alemães pelo que aconteceu na Segunda Guerra Mundial.
 
Não ajudou muito que a vice-líder do partido, Frauke Petry, tenha renunciado à sua participação no grupo depois que Gauland, em outra afirmação polêmica, disse que “a Alemanha deveria ter orgulho de seus soldados na Segunda Guerra Mundial”. Petry era considerada uma das líderes mais moderadas do partido.
 

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