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Alemanha Economia Angela Merkel

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Schäuble deixará ministério das Finanças da Alemanha para dirigir o Bundestag

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Wolfgang Schaüble vai dirigir o Bundestag. REUTERS/Rogan Ward

O atual ministro alemão das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, deixará o cargo para assumir a presidência da Câmara dos Deputados, indicou nesta quarta-feira (27) às agências de notícias uma fonte de seu partido, a União Democrata Cristã (CDU).


O ministro simboliza na Alemanha o rigor orçamentário, mas no resto da Europa é considerado por muitos excessivamente ortodoxo e pouco flexível em termos de finanças públicas. Ele foi um dos membros do governo alemão que defendeu a saída da Grécia da zona do euro em 2015, em plena crise da dívida.

Schäuble, de 75 anos, titular da pasta há oito anos, teria aceitado ocupar a presidência da Câmara depois do resultado desfavorável dos conservadores alemães nas legislativas de domingo (24). Fiel à chanceler Angela Merkel, o ministro teria sido pressionado nos últimos dias para deixar o ministério no futuro governo alemão.

Segundo o jornal Bild, a própria Merkel teria pedido ao seu fiel escudeiro para se tornar presidente do Bundestag, já que esse cargo terá maior relevância com a chegada de mais de 90 deputados do Alternativa para Alemanha (AfD), alguns dos quais se destacam por declarações racistas, ou por não compartilhar o arrependimento pelo passado nazista do país.

Merkel em busca de aliados

A decisão de Schäuble já é vista como uma consequência direta das negociações para a formação de um governo. Os partidos CDU e SPD (Partido Social Democrata) conseguiram pouco mais de 50% dos votos nas eleições legislativas. Porém, o SPD, que ficou em segundo lugar, se nega a formar uma aliança com o partido de Merkel, e decidiu se colocar na oposição, obrigando a chanceler a entrar em um acordo com dois outros partidos para formar uma coalizão.

Desde as vésperas das eleições, as pesquisas já apontavam que os alemães seriam favoráveis a uma coalizão entre o grupo CDU-CSU (União Social-Cristã) e o Partido Liberal Democrata (FDP), que obteve 10,7% dos votos. Isso, aliás, já aconteceu no país, entre 2009 e 2003. Essa seria uma oportunidade para os liberais voltarem ao debate político.

Mas para entrar na coalizão, um dos pedidos do FDP é a pasta das Finanças do país, que poderia ficar nas mãos de Christian Lindner. O carismático líder da legenda ficou conhecido por uma campanha midiática important, mas também por algumas propostas mais rígidas, principalmente no âmbito econômico. Entre as promessas, Lindner cogitou instaurar sanções automáticas aos países que não respeitarem as regras orçamentárias da União Europeia e sugeriu que a Grécia deixasse a zona do Euro.

(Com informações da AFP)