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Mianmar Rohingyas Bangladesh Refugiados Naufrágio

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Dezenas de refugiados rohingyas se afogam em naufrágio

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Rohingyas: muçulmanos apatridas fugindo a opressão em Mianmar. REUTERS/Damir Sagolj

Pelo menos 60 rohingyas de Mianmar, que tentavam se unir aos 500.000 refugiados em Bangladesh, morreram ou desapareceram no mar, informou nesta sexta-feira (29) a Organização das Nações Unidas.


Segundo a ONU, a embarcação partiu na quarta-feira (27) à noite de uma localidade costeira do estado birmanês de Rakhine, epicentro dos confrontos entre o exército e os rebeldes muçulmanos rohingyas.

De acordo com testemunhas, o barco naufragou quando já estava próximo da praia, em consequência das chuvas torrenciais e dos ventos no golfo de Bengala.

"Minha mulher e meus dois filhos sobreviveram. Mas perdi minhas três filhas", afirmou, sem conter as lágrimas, Shona Miah, um rohingya de 32 anos que esperava salvar a família dos confrontos violentos iniciados há um mês entre o exército birmanês e os rebeldes rohingyas.

“Pesadelo humanitário”

Enquanto isso, no campo de refugiados rohingyas em Bangladesh, a Cruz Vermelha já denunciou os riscos sanitários e de epidemias, com milhares de casos de diarreia aguda provocados pelas desastrosas condições de higiene.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediu na quinta-feira (28) a Mianmar o fim das operações militares no oeste do país, denunciando um "pesadelo humanitário". A ONU considera que o exército birmanês e as milícias budistas estão cometendo uma “limpeza étnica” contra os rohingyas de Rakhine.

Os rohingyas, a maior população apátrida do mundo, são considerados estrangeiros em Mianmar, um país onde mais de 90% da população são budistas.