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Para conter obesidade, China vai criar vilarejos "slow food"

Na contramão da expansão das redes de fast food e do aumento da obesidade no país, a China deve criar nos próximos cinco anos mil vilarejos "slow food". A ideia é estabelecer pontos de preservação da alimentação tradicional e da agroecologia no interior do país.

Luiza Duarte, correspondente da RFI em Hong Kong

O projeto foi anunciado esse mês depois do encerramento do 7º Congresso Internacional de Slow Food que aconteceu na cidade de Chengdu, na província do Sichuan, na China. O "slow food" é um movimento a favor dos alimentos locais e orgânicos e de um modelo de produção que proteja a biodiversidade. A rede, que defende uma alternativa de desenvolvimento agrícola, onde o pequeno produtor é valorizado, tem representações em 160 países e vem crescendo desde os anos 90.

O “slow food” repensa a forma como os alimentos são produzidos e consumidos e denuncia os efeitos negativos da violenta industrialização do setor. Ele apoia fazendas ecológicas, a agricultura orgânica e tradições culinárias locais.

Nos últimos anos, o governo chinês tem multiplicado as medidas para combater a poluição e o aquecimento global. Para isso, vem estimulando o desenvolvimento de soluções verdes nos transportes e na produção de energia, mas também abrindo espaço para a agricultura sustentável.

A China esse ano se comprometeu a não aumentar o uso de pesticidas e fertilizantes. Segundo o Ministério da Agricultura, o país utiliza um terço dos pesticidas químicos usados no mundo. Essa prática provocou a poluição e a degradação do solo em um grande número de áreas rurais chinesas. As iniciativas de agroecologia querem reverter esse quadro.

Projeto piloto

Essa será a primeira vez que um vilarejo “slow food” é criado na China. A comunidade de Anren, que fica a cerca de 40km da grande Chengdu foi selecionada para ser o modelo desse projeto piloto. Até o final do ano, mais detalhes sobre o funcionamento desse primeiro vilarejo devem ser anunciados. A previsão é que ele seja oficializado em 2018. A meta é criar mil áreas dedicadas à agroecologia no país nos próximos cinco anos.

Nessa mesma zona já existe há mais de 10 anos uma importante ecovila. Cerca de 3 mil pessoas vivem no vilarejo de Anlong, uma fazenda totalmente orgânica e sustentável que é uma experiência de agricultura apoiada pela comunidade. O modelo de produção tem crescido na China nessa década, através de uma rede que torna possível comprar diretamente do produtor.

O país já é o quarto mercado mundial de orgânicos. O interesse por produtos de melhor qualidade e mais seguros para a saúde está crescendo. É cada vez mais fácil encontrar produtos orgânicos nos mercados chineses.

Governo chinês se abre a questões ambientais

O governo chinês tem demonstrado uma abertura maior às questões ligadas ao meio ambiente, mas ele tem também outro desafio para enfrentar em relação a saúde da população. Hoje, a China tem a maior população acima do peso do mundo e registra uma explosão da obesidade infantil. As redes de fast food continuam se espalhando pelo país.

Os chineses consomem uma grande quantidade de alimentos processados e o chá tradicional já perde espaço para bebidas enlatadas com altas taxas de açúcar. Outra missão desses vilarejos é reaproximar os chinesas das suas tradições culinárias, da cozinha, do preparo do alimento fresco, das verduras, legumes e frutas. Um esforço em nome da saúde e da gastronomia local para conter a sedução publicitária das marcas de alimentos processados.

 

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