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Legislativas Japão Eleição Shinzo Abe Diplomacia Economia

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Com astúcia e diplomacia, Shinzo Abe conquista ampla vitória no Japão

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Em primeiro plano, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, participa de comício em Tóquio no dia 20 de outubro. ©REUTERS/Kim Kyung-Hoon

O chefe do governo japonês, Shinzo Abe, obteve uma ampla vitória nas eleições legislativas antecipadas deste domingo (22), segundo pesquisas de boca de urna. A coalizão conservadora do primeiro-ministro nacionalista, formada pelo Partido Liberal Democrata (PLD) e a legenda minoritária Komeito, poderia eleger 311 deputados dos 465 da Assembleia, de acordo com projeções da rede de TV TBS.


Abe, de 63 anos, decidiu em setembro dissolver o Parlamento e antecipar as eleições em um ano. O objetivo foi enfrentar os escândalos de favoritismo e a derrota histórica de seu partido no governo de Tóquio em julho, agora nas mãos de sua carismática rival conservadora Yuriko Koike.

Algumas horas antes do anúncio oficial das legislativas antecipadas, Koike surpreendeu com a criação de uma nova formação, o Partido da Esperança. A líder de direita, de 65 anos, que foi uma famosa jornalista da televisão japonesa e também ministra do governo Abe, compartilha o ideário nacionalista, mas a decisão de não se apresentar pessoalmente nas eleições a fez cair nas pesquisas.

Discurso firme contra Coreia do Norte e reforma da Constituição

A campanha foi dominada por questões econômicas e pela ameaça de conflito nuclear com a Coreia do Norte. Hábil estrategista, Abe angariou sólido apoio interno e também no exterior, onde se apresenta como um diplomata prudente e pragmático, que tenta conquistar ao mesmo tempo a simpatia de Donald Trump e de Vladimir Putin. O discurso firme contra a ameaça norte-coreana dá segurança aos japoneses.

Com a vitória de hoje, Abe terá o caminho livre para modificar a Constituição, redigida sob influência americana no pós-guerra e em vigor desde 1947. Sem alterar os princípios fundamentais de democracia, respeito aos direitos humanos e compromisso com o pacifismo, o premiê quer introduzir no artigo 9 uma menção sobre a existência de um Exército nacional. Em outras emendas, ele quer garantir a gratuidade da escola pública e definir um dispositivo para o estado de emergência.

O premiê diz que deseja um Japão capaz de se defender militarmente sem carregar indefinidamente o peso do arrependimento diante da China ou da Coreia do Sul, dois países ocupados pelas tropas imperiais japonesas no passado.

Fino estrategista

Abe construiu sua reputação em cima de sua estratégia de revitalização econômica, conhecida como "abenomics", mas também tenta aprovar leis que se apresentam como essenciais nos setores da segurança e defesa.

A cada eleição, ele lança um novo slogan de campanha que tenta seduzir o grande público. Para estas legislativas antecipadas, o político japonês, casado e sem filhos, propôs ensino escolar gratuito às crianças.

Por outro lado, Abe adapta-se a todas as mudanças na presidência americana. Ele foi o primeiro líder internacional a viajar para Nova York para se encontrar com Donald Trump, logo após sua eleição para a Casa Branca em novembro de 2016.

Ao mesmo tempo, tenta não ofender o presidente russo, Vladimir Putin, com quem gostaria de resolver a disputa sobre as Ilhas Kuril (chamadas "Territórios do Norte" pelos japoneses), anexadas pela União Soviética depois da Segunda Guerra Mundial.

Três gerações de políticos

Shinzo Abe é o terceiro de uma linha sucessória de líderes políticos. Seu avô Nobusuke Kishi foi ministro durante a Segunda Guerra Mundial. Suspeito de crimes de guerra, ele foi preso, mas nunca chegou a ser julgado pelo Tribunal de Tóquio. Kishi elegeu-se primeiro-ministro e assinou em 1960, com o presidente americano Dwight Eisenhower, um tratado de segurança e cooperação que é hoje a base da estreita aliança entre os dois países.

Seu pai, Shintaro Abe, foi ministro das Relações Exteriores. Após a sua morte em 1993, o filho conquistou uma cadeira no Parlamento.

Com informações da AFP