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Afeganistão Sexo Censura Islã

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Página no Facebook faz sucesso no Afeganistão ao tirar dúvidas sobre sexualidade

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Falar de sexualidade é um tema delicado no Afeganistão, onde interpretações religiosas ainda regem a vida de boa parte da população. GettyImages/Alison Wright

Uma página no Facebook vem atraindo cada vez mais internautas no Afeganistão, ao abordar livremente questões ligadas à sexualidade. Os internautas enviam suas dúvidas, muitas delas bastantes íntimas, que são em seguida respondidas por um sexólogo.


Sonia Ghezali, correspondente da RFI em Cabul

Mamoor Hayatullah, que se aparece como autor da página, diz ser sexólogo e afirma ser pesquisador na Universidade de Cabul. Porém, é impossível saber se a imagem do homem de cerca de 60 anos e trajes tradicionais, cuja foto ilustra o perfil, é verdadeira, já que o criador da página se recusa a dar entrevistas.

Mas independentemente de sua identidade, a página é um sucesso, com milhares de amigos, que visitam o perfil frequentemente para ver as fotos de posições do Kama Sutra, os desenhos explicativos sobre os aparelhos genitais masculino e feminino, além de poemas com conotação sexual. Mas os internautas frequentam a página principalmente para fazer perguntas, que Hayatullah responde se baseando no Corão, o livro sagrado muçulmano.

Internautas se soltam, protegidos pelo anonimato

Algumas questões são genéricas, como o internauta que pergunta “o que o Islã diz sobre as relações sexuais entre duas pessoas casadas”. Mas, preservados pelo anonimato, a maioria dos internautas se solta e posta dúvidas de ordem pessoal, como um homem que pergunta se acariciar os seios de sua esposa ou beijá-la em suas partes íntimas é autorizado pela religião muçulmana. Ou ainda um afegão que pergunta se tomar banho com sua mulher é tolerado. Já uma afegã indaga o que fazer quando seu marido decide manter menos relações sexuais com ela, alegando que sua vagina estaria deformada.

Ao ser questionado sobre como reagir quando uma esposa quer manter relações sexuais várias vezes ao dia, o sexólogo cita o livro sagrado e diz que o marido deve fazer o melhor para satisfazer sua mulher. Ele também incita os homens a serem carinhosos com suas companheiras, um discurso bem distante dos conselhos dados pelos mulás, que geralmente apresentam o sexo como algo sujo e indecente.