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ONU Síria Gás Guerra

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Em relatório, ONU acusa regime sírio de ataque com gás sarin contra povoado

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Homem colhe amostra de gás que teria sido usado em ataque a Khan Sheikun Omar haj kadour / AFP

As Nações Unidas acusaram o governo sírio de um ataque com gás sarin que deixou mais de 80 mortos em abril, na cidade de Khan Sheikhun, segundo um relatório divulgado nesta sexta-feira (27).


O painel conjunto da ONU e a Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) indicaram que o "sarin foi lançado por meio de uma bomba aérea jogada de um avião". Mais de 80 pessoas morreram no ataque químico a este povoado, situado na província de Idleb, no nordeste da Síria. Entre eles estão pelo menos 30 crianças, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

As imagens de horror, divulgadas após o ataque, causaram indignação na comunidade internacional e levaram os Estados Unidos a lançarem mísseis contra uma base aérea de onde teria sido lançado o ataque. No mês passado, investigadores da ONU de crimes de guerra disseram que havia evidências de que a força aérea síria estava por atrás do ataque mortal com sarin,o que o regime sírio nega.

O relatório da ONU foi emitido dois dias depois da Rússia vetar um projeto de resolução apresentado pelos Estados Unidos que amplia a investigação sobre os ataques químicos na Síria. A Rússia, aliada da Síria, defende que o sarin "vazou"  por conta de uma bomba desativada no solo e não lançada por um avião.

Aliados contrariados

A diplomacia russa insistiu nesta sexta-feira (27) que o relatório apresenta "inúmeras contradições, incoerências lógicas, uso de testemunhos duvidosos e de provas não confirmadas", segundo o adjunto da chancelaria, Serguei Riabkov.

O relatório da ONU, segundo Damasco, "falsificou a verdade". "A Síria rejeita categoricamente o conteúdo do relatório conjunto da ONU e da Organização de Proibição de Armas Químicas, que falsificou a verdade e deformou as informações exatas sobre o que se passou em Khan Sheikhun", informou o Ministério das Relações Exteriores sírio, em um comunicado.

A ONG Human Rights Watch (HRW), por sua vez, pediu ao Conselho de Segurança da ONU que puna os responsáveis por esse tipo de operação e denunciou o uso repetitivo de armas químicas na Síria.

Nenhum papel no futuro da Síria

O relatório da ONU aumentará a pressão sobre o regime de Bashar al Assad. Washington depois de vencer o grupo Estado Islâmico no campo de batalha, exige que o presidente sírio deixe o poder.

Em Genebra, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, declarou a um grupo de jornalistas que Bashar al Assad não tem futuro como presidente da Síria e que ele terá que deixar o cargo no contexto de um processo de paz mediado pela ONU. Tillerson deve reunir-se em Genebra com Staffan de Mistura, que tenta coordenar uma nova rodada de negociações de paz para o mês que vem.

(Com informações da AFP Brasil)