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Brasileiros em Israel criam canal de humor na internet

Um grupo de jovens brasileiros em Israel criou, há quatro meses, um canal na internet pioneiro com vídeos de humor sobre a vida de seus conterrâneos no país do Oriente Médio. O canal se chama "Balagandaia", mistura de duas palavras: "Balagan", bagunça, em hebraico e "Gandaia", em português.

Daniela Kresch, correspondente da RFI em Tel Aviv

O canal apresenta esquetes semanais que brincam com a condição dos imigrantes latino-americanos num país distante e com a cultura judaica, em geral.

O criador é o rabino carioca Rafael Hasky, de 31 anos, que mora há 11 em Jerusalém. Sem seguir o estereótipo de rabinos ortodoxos, Hasky trabalha com publicidade, gosta de cultura popular e de esportes. Ele diz se inspirar no humor judaico de comediantes como Woody Allen, Jerry Seinfeld, Jack Black, Sarah Silverman, Adam Sandler, Ben Stiller, Sasha Baron Cohen e outros para fazer um humor ácido sobre a realidade de Israel sob a ótica brasileira.

O principal objetivo é “explorar de forma rica a difereחça cultural entre o brasileiro e o israelense, o que é normal e o que não é normal. E assim a gente vai fazendo humor, mas sempre de uma forma muito mais intelectualizada”, diz. Em apenas quatro meses, o Balagandaia, disponível no You Tube e no Facebook, já acumulou mais de meio milhão de visualizações em seus 14 vídeos. Cada um tem, em média, 40 mil entradas.

A irreverência e o sarcasmo, mas sem ofensas ֹ é muito importante para Rafael Hasky. As piadas não devem envolver palavrões ou sexualidade, bem como desrespeito a religiões ou minorias. Para sua surpresa, o perfil do público, até agora, é variado. Há judeus do Brasil e brasileiros em Israel, claro. Mas também muitos não judeus que acham curioso tentar entender a vida em Israel.

Humor simples e acessível

A equipe do Balagandaia contra com três produtores e dez atores brasileiros – alguns profissionais, outros não. Eles vêm de diversos lugares de Israel. A atriz carioca Aline Goffman, de 37 anos, mora há seis anos em Tel Aviv e ficou feliz em participar do Balagandaia. Para ela, “ é uma maneira de expressar as dificuldades da imigração através de um humor sincero e simples, acessível a todos”.

Mas nem todos os participantes estão em Israel há muito tempo. É o caso da psicóloga paulista Victoria Kimmelmann, de 23 anos, que imigrou para Israel há apenas seis meses. Para ela, o humor é fundamental para encarar a mudança de país. “Uma característica muito forte do brasileiro e do judeu é a capacidade de rir de si mesmo”, declara.

Para outro ator, o manauara Avraham Elbaz Franco, de 38 anos, sendo 9 em Israel, o humor do Balagandaia é uma maneira de renovar os ares da comunidade brasileira em Israel, que vem crescendo nos últimos anos e conta, segundo dados oficiais, com 15 mil pessoas.

Para Elbaz Franco, que estuda rabinato, participar do canal de humor é uma maneira de matar as saudades do Brasil. “Nossa história está sempre recheada de humor. A gente vem do Brasil, entra desde pequeno, na sinagoga, no clube, ou nos próprios bairros judaicos, a gente sempre conta aquela piada. Quando a gente vem para Israel, a gente sente aquela saudade. Eu acho que o humor tem que ser renovado como a gente próprio se renova", conclui.

 

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