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Europeus que se uniram ao EI na Síria querem voltar para casa

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Soldado do grupo Estado Islâmico nas ruas de Raqa, antigo bastião dos extremistas, em 2014. REUTERS/Stringer

Centenas de famílias europeias que viajaram para a Síria ou para o Iraque para se unir aos extremistas do grupo Estado Islâmico (EI) pedem agora para retornar a seus países. As autoridades avaliam como gerenciar o retorno destes homens, mulheres e crianças.


Vários cidadãos europeus, capturados após as recentes derrotas militares do grupo Estado Islâmico (EI), pediram para retornar aos seus países de origem, seja por meio da imprensa ou de familiares.

"Senhora Chanceler [Angela Merkel], quero retornar com meu filho, ajude-nos (...) Vocês não precisam ter medo, não sou uma terrorista", pedia em alemão uma mulher com um bebê em seus braços, identificada como Nadia Ramadan, de 31 anos, natural de Frankfurt. O vídeo foi veiculado no início de outubro pelo jornal alemão Zeit. 

Nadia Ramadan havia sido detida recentemente, com seus três filhos, pelas milícias curdas em Raqa, reduto do EI reconquistado pela coalizão internacional. Mas Berlim, recusou-se a ajudá-la. De acordo com os serviços de inteligência alemães, 950 cidadãos da Alemanha juntaram-se aos jihadistas, desde 2011. Um terço retornou ao país e 150 morreram na Síria.

"Acreditamos que o retorno à Alemanha dos filhos de jihadistas que foram doutrinados em uma zona de guerra é perigoso, e esse risco deve ser levado em consideração", declarou o chefe do serviço de inteligência alemão, Hans-Georg Massen.

França: arrependidos devem ser processados no Iraque

Na França, parentes de cerca de vinte mulheres que viajaram para o autoproclamado califado do EI escreveram ao presidente francês, Emmanuel Macron, para pedir que fossem repatriadas junto com seus filhos.

O pedido foi respondido com firmeza pelas autoridades. "Se essas pessoas que estavam no território iraquiano estiverem presas, elas devem ser processadas no Iraque", afirmou nesta terça-feira (31) a ministra francesa da Defesa, Florence Parly. "As pessoas que retornam à França sabem que vão se expor e vão ser processadas pela Justiça", acrescentou.

De acordo com o governo francês, cerca de 1.700 franceses partiram para as áreas jihadistas entre o Iraque e a Síria desde 2014. Entre eles, 278 morreram - um número que seria muito maior - e 302 voltaram para a França (244 adultos e 58 menores de idade). Nas cartas enviadas a Macron, as famílias pedem ao presidente "fazer todo o possível para facilitar o retorno das mulheres e seus filhos ao país, onde vão prestar contas perante as autoridades competentes".

Reino Unido: “Muito tempo atrás das grades”

No Reino Unido, para onde cerca de 425 pessoas voltaram, as autoridades esperam levá-las à Justiça "para que permaneçam por muito tempo atrás das grades", declarou Mark Rowley, diretor nacional da polícia britânica antiterrorista.

Rowley admitiu, no entanto, que nem sempre é possível reunir provas suficientes dos crimes cometidos ou que comprovem que representam um risco significativo para a segurança do país. Para as pessoas que se enquadram nesses casos "pensamos em medidas preventivas, como instalá-las em algum lugar ou colocá-las sob vigilância", disse ele.

Mas alguns membros do governo britânico pedem métodos mais radicais. "Devemos considerar que essas pessoas podem representar um grande perigo", disse recentemente Rory Stewart, secretário de Estado responsável pelo desenvolvimento internacional no Reino Unido.