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Autoridade Palestina Faixa de Gaza Fronteiras Egito

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Autoridade Palestina volta a controlar fronteiras da Faixa de Gaza

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Representante da segurança palestina é cumprimentado na fronteira de Rafah com o Egito. REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa

Depois de dez anos, a Autoridade Palestina volta a controlar as fronteiras da Faixa de Gaza a partir desta quarta-feira (1°), em mais uma etapa do processo de reconciliação entre os grupos Hamas e o Fatah.


Com informações do enviado especial da RFI a Gaza, Guilhem Delteil, e da AFP

O movimento islâmico Hamas, no poder há uma década em Gaza, cedeu hoje à Autoridade Palestina (AP) o controle dos pontos de passagem para o Egito e Israel, um dos pontos cruciais do acordo do acordo de reconciliação interpalestina, assinado em outubro.

“Não há amarelo ou verde. Todo o povo palestino faz parte da bandeira palestina”, declarou durante uma cerimônia em Rafah, ponto de passagem no sul do enclave fronteiriço do Egito, o ministro da Habitação da AP, Moufid al-Hasayneh, em referência às cores dos “irmãos” inimigos.

A partir de agora, segundo os termos do acordo de reconciliação negociado pelo Egito, a Autoridade Palestina, entidade internacionalmente reconhecida pela comunidade internacional - o que prefigura um futuro Estado palestino independente - deve assumir o controle total de Gaza até 1° de dezembro.

Desmantelando

Além de ceder formalmente o controle dos pontos de passagem, o Hamas procedeu à destruição completa das infraestruturas em Erez, na fronteira norte com Israel. Os escritórios, esvaziados de computadores e aparelhos de raio X para controle de bagagens, estavam sendo desmantelados por dezenas de operários, como conta o correspondente da RFI em Israel.

Israel impõe um boqueio à Faixa de Gaza há uma década, alegando que é necessário controlar o movimento Hamas, que considera - assim como os Estados Unidos ou a União Europeia - uma organização terrorista, e contra o qual já travou três guerras desde 2008.

Os dois milhões de habitantes da Faixa de Gaza padecem de uma situação humanitária deteriorada, com somente algumas horas de eletricidade por dia e escassez de água potável. O acordo de reconciliação palestino gerou a esperança de uma abertura mais frequente da fronteira egípcia, o que poderá atenuar as carências da população.

As principais facções palestinas se reunirão no Cairo no final do mês para negociar a formação de um governo de unidade.