rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
Linha Direta
rss itunes

Comércio e Coreia do Norte pautam viagem de Trump à Ásia

Por Ligia Hougland

Passando pelo Japão, Coreia do Sul, China, Vietnã e Filipinas, Donald Trump fará, em 12 dias, a mais longa visita de um presidente americano à Ásia nos últimos 25 anos. O foco da viagem estará dividido entre a ameaça representada pela Coreia do Norte e a estipulação de novos acordos comerciais, dois tópicos em que Trump se mostrou inflexível durante a campanha presidencial.

Para Trump, que gosta de se vangloriar dos seus poderes de negociação e é autor do best-seller “A Arte da Negociação”, é importante firmar acordos comerciais vantajosos para os EUA com os países que vai visitar.

A importância disso, na verdade, vai além da vaidade pessoal do presidente e das óbvias vantagens que os novos acordos, conforme o então candidato republicano prometeu aos seus eleitores, podem trazer para os Estados Unidos. É uma maneira de garantir que o país continue a ser visto como um líder fundamental para a região. Com o fim do Tratado Transpacífico de Comércio Livre, o Vietnã, por exemplo, começa a considerar um comércio ainda mais dinâmico com a China, uma tendência que desagrada a Casa Branca.

Na realidade, o principal objetivo da visita do presidente americano à Ásia é solidificar a imagem dos EUA como única superpotência mundial, por meio da eliminação da ameaça norte-coreana e pelo domínio do poder comercial. A China, sem dúvida, tem a ambição de se tornar a nova superpotência mundial, e os Estados Unidos têm toda a intenção de impedir isso.

Negócio da China

A China é certamente o ponto mais importante do itinerário de Trump. O presidente republicano vai aproveitar o bom relacionamento que desenvolveu com Xi Jinping para pedir que a China se empenhe ainda mais em conter a Coreia do Norte. Pequim tem demonstrado boa vontade nesse sentido, mas, do ponto de vista americano, os chineses poderiam colocar ainda mais pressão sobre Kim Jong Un.

A China, contudo, hesita em impor sanções extremamente severas sobre a Coreia do Norte, pois além de considerar a ditadura comunista um ativo estratégico, teme que a escassez grave de recursos possa causar uma crise de refugiados.

Trump certamente vai querer deixar claro que, embora seja cordial, não está disposto a dividir seu papel de liderança. O presidente chinês, ao contrário do americano, está bastante fortalecido no seu país. Recentemente Xi Jinping consolidou seu poder no congresso do Partido Comunista, realizado a cada cinco anos, conquistando o mesmo patamar de prestígio e influência que o fundador da República Popular da China, Mao Tsé-Tung.

Durante a campanha presidencial, Trump teve uma retórica agressiva contra a China, fazendo inclusive acusações de manipulação de moeda. Mas agora, precisando da ajuda chinesa para lidar com a Coreia do Norte, Trump deve fazer uma abordagem mais diplomática.

Em paralelo, ele tentará convencer a China a comprar mais mercadorias americanas, uma novidade que deve ser anunciada pela própria China durante a visita. Em troca, a China quer que os Estados Unidos não se posicionem sobre a expansão militar chinesa no Mar do Sul da China, um projeto que não agrada aos japoneses.

No campo de golfe

No domingo, Trump e o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, jogam a sua primeira partida de golfe, num gesto simbólico, tipicamente americano, em que grandes negócios são fechados no campo entre uma tacada e outra.

Com a saída dos Estados Unidos do Tratado Transpacífico de Livre Comércio, uma das primeiras medidas de Trump na Casa Branca, os japoneses estão ansiosos para compensar a perda do tratado com bons acordos bilaterais. Além de reuniões nesse sentido, o presidente americano também vai encontrar famílias de cidadãos japoneses que foram sequestrados pela ditadura norte-coreana.

Na Coreia do Sul, quebrando a tradição das visitas de presidentes americanos, Trump não visitará a Zona Desmilitarizada, que, desde 1953, separa a Coreia do Sul da Coreia do Norte. Em vez disso, o presidente americano visitará uma base militar com a finalidade de destacar a parceria americana e coreana. Ele também vai se reunir com o presidente Moon Jae-in, além de fazer um discurso na Assembleia Nacional, em Seul, focando na cooperação e nos esforços da comunidade internacional para acabar com a ameaça norte-coreana.

No Vietnã, Trump vai participar do Encontro de Líderes Econômicos da Cooperação Econômica da Ásia-Pacífico. Nas Filipinas, a Casa Branca disse que é possível que o presidente americano comunique a Rodrigo Duterte sua preocupação com as denúncias de abusos a direitos humanos cometidos pela administração do presidente filipino.

Chance de melhorar sua imagem

Donald Trump continua com problemas de popularidade. A Casa Branca espera que a excursão pela Ásia, onde serão tratadas questões de extrema importância, possa beneficiar a popularidade do presidente americano.

Isso contribuiria para ajudar o presidente a aprovar o seu projeto de reforma fiscal, além de fortalecer a sua posição na investigação da interferência russa nas eleições presidenciais dos Estados Unidos. Esta semana, a investigação do promotor especial Robert Mueller resultou no indiciamento do gerente e do assessor da campanha presidencial de Trump, além da prisão e confissão de culpa de um dos consultores da equipe que trabalhava na Trump Tower para eleger o bilionário nova-iorquino.

Funcionários da Casa Branca acreditam que a distância física e mental dos obstáculos internos vai ajudar a diminuir o estresse do presidente, fazendo com que a viagem possa ser positiva para sua imagem.

Por outro lado, seus assessores temem que a impulsividade de Trump resulte em desabafos e ameaças pelo Twitter, o que prejudicaria o foco da viagem presidencial. O consultor de segurança nacional, H. R. McMaster, que vai acompanhar Trump na visita à Ásia, não está esperando que Trump siga fielmente o protocolo nem a discrição e disciplina comuns na cultura asiática. McMaster disse à imprensa que o presidente vai falar do jeito que quiser, pois não costuma conter sua linguagem.

Enfim, quando se trata de Donald Trump, não é possível fazer previsões. Apesar de seu índice de aprovação estar particularmente baixo, o número subiu esta semana depois do indiciamento dos funcionários da sua campanha. De acordo com a Gallup, de segunda para quinta, o índice de aprovação de Trump subiu de 34% para 38%.

Greenpeace processa Noruega por avanço da exploração de petróleo no Ártico

Acusações de assédio sexual provocam escândalo no Parlamento Britânico

Centenário da Revolução Russa inspira nostalgia, mas divide opiniões

Por falta de moradia, Dinamarca propõe contêiners de luxo para estudantes

Assessores de campanha de Trump são indiciados por conspiração contra EUA

Interventores de Madri chegam a Barcelona para assumir gestão da Catalunha

Macri obtém vitória histórica em eleições legislativas na Argentina