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Documentos vazados mostram laços entre equipe de Trump e Rússia

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Milionário Wilbur Ross (esq.) é o secretário de Comércio de Donadl Trump. REUTERS/Kevin Lamarque

Novos vazamentos de 13,4 milhões de documentos secretos, batizados de Paradise Papers, mostram como personalidades do mundo inteiro utilizam brechas nas leis para pagar menos impostos. Entre as revelações, publicadas neste domingo (5) em jornais do respeitados, estão as de que o secretário de Estado do Comércio do presidente americano, Donald Trump, mantém negócios milionários com um próximo do presidente russo, Vladimir Putin.


A notícia vem à tona poucos dias depois de o ex-chefe de campanha de Trump e outros dois assessores serem indiciados por conspiração contra os Estados Unidos, no âmbito das investigações sobre a interferência da Rússia na corrida presidencial de 2016.

Os Paradise Papers indicam que o magnata dos fundos privados Wilbur Ross, secretário de Trump, tem ações em uma companhia de navios que recebeu mais de US$ 68 milhões de uma companhia de energia russa – da qual um dos proprietários é ninguém menos do que um genro do presidente russo, Vladimir Putin.

Otimização fiscal para pagar menos impostos

Os documentos vazados vêm do escritório internacional de advocacia Appleby, baseado nas Bermudas – um paraíso fiscal conhecido dos milionários. O escritório é especializado em encontrar brechas nas legislações a fim de promover a chamada otimização fiscal das fortunas de seus clientes, que passam a pagar menos impostos graças a esse trabalho meticuloso, porém legal, de empresas como a Appleby.

Integrantes do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), jornais como francês Le Monde, o britânico The Guardian ou o americano New York Times tiveram acesso aos milhões de documentos. Os dados foram analisados por cerca de um ano, antes da publicação das reportagens, a partir deste domingo.

No total, mais de 380 jornalistas participaram da apuração, realizada em 67 países. Pelo menos 120 políticos são citados nos vazamentos.

No Brasil, o site Poder360 começou a divulgar o conteúdo relativo a nomes brasileiros, como o ministro da Economia, Henrique Meirelles, que recorreu a uma conta nas Bermudas para gerenciar sua herança, ou o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que é beneficiário de uma conta nas Ilhas Cayman. Também é nas Ilhas Cayman que a rainha da Inglaterra, Elizabeth 2ª, confiou o seu patrimônio privado, em uma conta até então desconhecida do público.