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Filipinas Rodrigo Duterte

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Presidente filipino agradece armas russas e diz que matou quando adolescente

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O presidente filipino, Rodrigo Duterte, no Vietnã, nesta sexta-feira (10/11). REUTERS/Jorge Silva

O presidente filipino, Rodrigo Duterte, agradeceu nesta sexta-feira (10) o russo Vladimir Putin pela entrega de armas russas às Filipinas em uma reunião à margem da cúpula anual do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC) no Vietnã. Na véspera, em discurso, declarou que, aos 16 anos, matou uma pessoa a facadas.


"Em nome do povo filipino, gostaria de expressar um reconhecimento especial pela assistência oportuna que a Rússia nos forneceu ao entregar caminhões e armas", declarou Duterte, de acordo com declarações traduzidas para o russo, no início do encontro com o presidente Putin.

"Isso é realmente essencial para que possamos completar nossas reservas", em um contexto em que o exército filipino combate os seguidores do grupo extremista Estado Islâmico (EI) no sul do país, explicou. O presidente filipino reforçou ainda o seu "sonho de criar forças armadas e uma polícia nacional fortes" antes do final do seu mandato.

Washington mais longe

"Minha primeira ideia era comprar armas dos Estados Unidos", explicou. Washington tem desempenhado um papel protetor das Filipinas há décadas, uma vez que ambos os países estão unidos por um tratado de defesa mútua. "Mas como o Congresso e o presidente têm o mesmo poder nos Estados Unidos, não seria fácil", disse Duterte.

Desde a sua chegada ao poder no final de junho de 2016, Rodrigo Duterte, que considera Putin como um "herói", tentou mudar radicalmente a política externa do país, dirigindo-a mais para a China e para a Rússia e virando as costas para Washington, seu aliado tradicional.

Bravatas e assassinato

Na véspera, em discurso de defesa de sua guerra contra a droga para a comunidade filipina da cidade vietnamita de Danang, Duterte afirmou ter matado uma pessoa a facadas quando era adolescente. "Com 16 anos, matei alguém. Uma pessoa de verdade, em uma briga, a punhaladas. Foi por causa de um simples olhar."

O líder filipino também ameaçou "esbofetear" Agnès Callamard, enviada especial da ONU sobre as execuções sumárias ou arbitrárias. Além disso, chamou de "filhos da puta" os que criticam sua campanha de repressão contra o tráfico de drogas.

Duterte, de 72 anos, foi eleito em 2016 após prometer que erradicaria o narcotráfico no país, eliminando 100 mil supostos traficantes e usuários de drogas.

Execuções

Desde a sua chegada ao poder, há 16 meses, a polícia anunciou ter matado 3.967 personas. Outras 2.290 pessoas morreram em casos vinculados a drogas. Outras milhares de pessoas perderam a vida em circunstâncias não esclarecidas, segundo os dados da polícia.

O presidente continua muito popular no arquipélago, onde muitos filipinos estimam que a segurança melhorou.