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Chineses ameaçam império norte-americano de comércio online

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Daniel Zhang, um dos diretores da gigante chinesa Alibaba, durante coletiva de imprensa em Xangai, em 31 de outubro de 2017. REUTERS/Stringer

Os grupos chineses Tencent e Alibaba já alcançam o Facebook e a Amazon em termos de valor de mercado, um reflexo da emergência das gigantes tecnológicas na China, país onde smartphones e pagamentos eletrônicos são onipresentes.


A Tencent, campeã de games e operadora do popular aplicativo de mensagens WeChat se tornou, na semana passada, o primeiro grupo tecnológico chinês a valer mais de US$ 500 bilhões, superando o Facebook. O líder chinês de comércio on-line Alibaba, cotado em Wall Street, está logo atrás, e se aproxima da também norte-americana Amazon.

Trata-se de um verdadeiro desafio às maiores empresas do Vale do Silício, que até então estavam no seleto grupo dos cinco maiores valores de mercado do mundo. Apenas em 2017, as cotações das chinesas Tencent e da Alibaba duplicaram – assim como sua margem de lucro.

"O sucesso se explica, antes de tudo, pela decolagem da internet móvel, estimulada pelos fabricantes chineses de smartphones baratos”, explica Shameen Prashantham, da Escola de Comércio CEIBS, baseada em Xangai.

Cerca de 724 milhões de chineses se conectam à rede pelo celular, segundo o governo: isso aumenta significativamente as bases de usuários e o volume de dados coletados, pois "as leis sobre a privacidade são menos protetoras aqui que no Ocidente", explica Prashantham.

Um bilhão de usuários: problemas da concorrência em solo chinês

Atualmente, a Tencent se beneficia da adesão dos usuários ao jogo "Honor of Kings", enquanto seu aplicativo WeChat (troca de mensagens, rede social, comércio digital e jogos) tem um bilhão de usuários, apesar da rigorosa censura ao conteúdo. Já a empresa Alibaba controla metade do e-commerce chinês entre empresas e consumidores.

Ambas as plataformas se beneficiam dos problemas de concorrentes norte-americanos no mercado chinês: o Facebook está proibido na China; o e-Bay se recusava entrar no mercado chinês e a Amazon tem dificuldade de decolar na nuvem chinesa. Contudo, "a Tencent não imitou as fórmulas ocidentais. A empresa se forçou a inovar. Deve-se a ela o desenvolvimento do pagamento eletrônico", insiste Huang Hao, pesquisador na Academia Chinesa de Ciências Sociais.

A Tencent permitiu que usuários do WeChat trocassem cartões de presentes eletrônicos, enquanto a Alibaba criou sua plataforma de pagamento on-line Alipay.  "Até meu avô de 88 anos se acostumou a se comunicar e a pagar via WeChat", afirma Zhao Chen, da empresa de investimentos tecnológicos Plug-and-Play.