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Refugiados Rohingyas Papa Francisco Bangladesh Mianmar

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Papa celebra missa para 100 mil em Bangladesh

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Cem mil fiéis compareceram à primeira missa do papa Francisco em Bangladesh. REUTERS/Damir Sagolj

O papa Francisco celebrou uma missa nesta sexta-feira (1o) para 100 mil católicos em Bangladesh, antes de um encontro com muçulmanos rohingyas, que fogem da perseguição sofrida na vizinha Mianmar.


O pontífice de 80 anos chegou às 10h locais a um parque de Daca para a missa. Dezenas de milhares de pessoas, procedentes de várias regiões do país, formaram uma longa fila durante horas para entrar no local.

Como Bangladesh tem registrado vários ataques jihadistas contra minorias religiosas, incluindo os cristãos, as autoridades adotaram medidas de segurança reforçadas para o evento.

Para a minúscula comunidade de 380 mil católicos entre 163 milhões de bengaleses, a visita papal, a primeira desde a realizada por João Paulo II em 1986, é motivo de orgulho.

Em um país majoritariamente muçulmano, os cristãos expressam preocupação com seu futuro ante o avanço do extremismo islâmico. Desde 2015, pelo menos três cristãos morreram em ataques atribuídos a extremistas muçulmanos.

Francisco, à frente de 1,3 bilhão de católicos no mundo, busca estimular as pequenas Igrejas das "periferias do planeta". Durante a missa, ordenou 16 novos padres em Bangladesh, um país que tem menos de 400 sacerdotes.

Agenda política

Após a missa, o pontífice terá um encontro com líderes de outras religiões. Farid Uddin Masud, um importante clérigo muçulmano, espera que o papa aborde o tema dos rohingyas.

Mais de 620 mil pessoas desta minoria muçulmana apátrida entraram em Bangladesh desde o fim de agosto, tentando escapar da violência do exército de Mianmar, que a ONU classificou de "limpeza étnica".

Os refugiados vivem na miséria, em acampamentos do tamanho de cidades, onde sua sobrevivência depende da distribuição de alimentos.

Francisco deverá se reunir com 16 refugiados rohingyas, incluindo duas crianças, que viajaram de seu campo de deslocados até a capital.

Uma palavra um tanto delicada

Francisco chegou na quinta-feira a Bangladesh, procedente de Mianmar, onde evitou usar o termo rohingyas, mas pediu respeito a "todos os grupos étnicos" para que se supere “todas as formas de incompreensão, de intolerância, de preconceito e de ódio".

Em seu primeiro dia em Daca, a capital de Bangladesh, Francisco pediu "medidas eficazes" para ajudar os rohingyas, mas, uma vez mais, não mencionou o nome dessa minoria muçulmana, falando apenas em "refugiados que chegam em massa do estado de Rakhine", a região birmanesa onde viviam os muçulmanos.

Em seu discurso, o papa elogiou Bangladesh pela recepção dos refugiados, destacando seu sacrifício e "espírito de generosidade e solidariedade" de seu povo.

(Com agência AFP)