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Netanyahu: "UE acabará mudando suas embaixadas para Jerusalém"

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O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu diante da União Europeia (UE) com Federica Mogherini ,chefe da diplomacia europeia, em Bruxelas, em 11 de dezembro de 2017. REUTERS/Francois Lenoir TPX IMAGES OF THE DAY

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse nesta segunda-feira (11) em Bruxelas que o reconhecimento de Jerusalém como a capital de Israel pelos Estados Unidos deve “tornar a paz possível” e que ele está convencido de que a União Europeia acabará por concordar com ele.


A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticada pela comunidade internacional, "não impede a paz”. Segundo Netanyahu, ela “torna a paz possível porque reconhecer a realidade é um passo principal para alcançar a paz", martelou o chefe do governo israelense, ao lado da chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, nesta segunda-feira (11), em Bruxelas.

"Eu acho que todos ou a maioria dos Estados europeus moverão suas embaixadas para Jerusalém e reconhecerão Jerusalém como a capital de Israel, e se envolverão energicamente em prol da segurança, da prosperidade e da paz na região", estimou Netanyahu, mesmo contra todas as evidências de que sua declaração encontre eco no Parlamento europeu.

A chefe da diplomacia europeia, no entanto, se afasta cada vez mais da decisão de Trump. "Acreditamos que a única solução realista para o conflito entre Israel e a Palestina seja baseada em dois Estados, com Jerusalém como a capital dos dois países, seguindo as fronteiras de 1967. Esta é a nossa posição consolidada e continuaremos a respeitar o consenso internacional até que o status da cidade seja resolvido por meio de negociação", insistiu ela.

Decisão dos EUA espalha ódio antissemita na Europa

As relações entre Israel e a União Europeia (UE), cujos Estados-membros denunciam a colonização israelense dos territórios palestinos e exigem rotulagem de produtos dos assentamentos, são notoriamente difíceis. A UE é o principal fornecedor de fundos para a Autoridade Palestina.

No sábado, Benjamin Netanyahu acusou a Europa de "hipocrisia" porque o bloco teria denunciado a declaração dos EUA, mas não "o foguete em Israel". "Eu respeito a Europa, mas não estou pronto para aceitar um duplo padrão de sua parte", disse o chefe do Estado israelense.

Israel anexou a parte oriental de Jerusalém durante a guerra de 1967 e aprovou uma lei declarando sua capital "indivisível". Esta anexação nunca foi reconhecida pela comunidade internacional e os palestinos consideram Jerusalém Oriental como a capital do seu futuro Estado.

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, disse nesta segunda-feira que "o pior que poderia acontecer agora é uma escalada de tensões e violência". Dezenas de milhares de protestos eclodiram nos últimos dias no Oriente Médio contra a decisão dos EUA. Desde quarta-feira (6), confrontos nos territórios palestinos custaram a vida de quatro palestinos e produziram mais de mil feridos. Na Europa, na noite de sábado (9), uma dúzia de pessoas jogou coquetéis Molotov em uma sinagoga em Gotemburgo, na Suécia.

Europa "chocada e indignada"

"Condeno todos os ataques contra judeus, em todo o mundo", disse Mogherini, enquanto a Comissão Europeia disse que estava "chocada e indignada com a onda de ataques antissemitas e manifestações que espalharam o ódio contra judeus nas cidades europeias nos últimos dias ".

A colonização continua a ser um dos principais "obstáculos para a paz" aos olhos dos europeus, quando o governo israelense relançou planos em outubro para construir milhares de moradias de colonos na Cisjordânia ocupada e anexou Jerusalém Oriental.

No domingo, o presidente francês, Emmanuel Macron, exortou Netanyahu a "fazer gestos corajosos em relação aos palestinos para quebrar o impasse atual" e, assim, “permitir a retomada do diálogo israelense-palestino".