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França Aquecimento global Mudanças Climáticas Emmanuel Macron One Planet Summit

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Macron cobra ação imediata contra aquecimento global

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Emmanuel Macron: "Estamos perdendo a batalha contra o aquecimento global". REUTERS/Philippe Wojazer

"Estamos perdendo a batalha" contra o aquecimento global e as mudanças climáticas, alertou nesta terça-feira (12) o presidente francês Emmanuel Macron durante a conferência One Planet Summit em Paris, diante de dezenas de líderes mundiais.


"Nós não estamos avançando rápido o suficiente, e essa é a tragédia. Todos nós devemos agir, porque todos, um dia, iremos prestar contas", disse Macron, perante os representantes de 127 Estados, instituições internacionais e personalidades do setor privado. "E não poderemos dizer que não sabíamos", insistiu Macron.

Essas observações ecoam o aviso emitido pelo então presidente francês Jacques Chirac em setembro de 2002, em uma cúpula da Terra, em Johanesburgo: "Nossa casa queima e nós olhamos para o outro lado".

Em um breve discurso, Macron abriu a segunda parte da conferência, dedicada às intervenções dos líderes presentes e aos anúncios de novos projetos e financiamentos para combater o aquecimento global.

As boas intenções

Redução no uso de energias fósseis, pressão sobre as empresas para serem mais "verdes", assinatura de acordos: a One Planet Summit sobre o clima foi o palco para que agentes econômicos e financeiros anunciassem seus compromissos contra a mudança climática.

Confira abaixo algumas dessas propostas:

Petróleo e gás

O Banco Mundial anunciou que, a partir de 2019, não vai mais financiar a exploração de petróleo e de gás. A instituição se torna o primeiro banco multilateral a anunciar um compromisso nesse sentido no setor. Em 2016, seus financiamentos para a indústria do petróleo e do gás representaram quase US$ 1,6 bilhão, ou seja, menos de 5% da totalidade dos fundos acordados no mesmo ano.

Além disso, a partir de 2018, a instituição passará a publicar anualmente as emissões de gases causadores do efeito estufa decorrentes dos projetos financiados por ela em setores mais sensíveis, como o de energia. O banco também pretende generalizar a adoção de um preço interno do carvão em seus futuros investimentos.

Carvão

A seguradora Axa anunciou que abrirá mão de atender e de investir em qualquer empresa envolvida na construção de centrais de carvão. O grupo francês também considera a retirada de quase € 2,5 bilhões em investimentos no setor.

A Axa prometeu ainda se desvincular de projetos da ordem de € 700 milhões ligados a areias betuminosas. Em paralelo, aumentará em € 9 bilhões seus investimentos "verdes" - em infraestrutura, por exemplo - até 2020.

O banco holandês ING se comprometeu a "acelerar a redução" dos financiamentos destinados às centrais de carvão. Até 2025, financiará apenas os produtores de eletricidade que usem menos de 5% do carvão. No último ano, esses financiamentos diretos caíram em 9%.

Em contrapartida, o grupo considera "mais complexo" parar de financiar a indústria do petróleo e do gás.

Risco climático

Na cúpula, 237 empresas decidiram levar em consideração recomendações de um grupo de trabalho ligado ao G20 para melhorar a adoção do “risco climático” em suas atividades. Entre elas, estão 20 dos mais importantes bancos do mundo e 80% dos administradores de ativos, como o HSBC e a AXA.

Essas empresas se comprometem a publicar "não apenas sua estratégia para administrar os riscos (climáticos), mas também para aproveitar as oportunidades" da luta contra o aquecimento global.

Empresas sob vigilância

Um grupo de mais de 200 grandes investidores, como o HSBC e o maior fundo público de pensões americano (CalPERS), decidiu pressionar 100 dos maiores emissores de gases causadores do efeito estufa para que melhorem sua "governança" sobre a mudança climática, reduzam suas emissões e garantam a publicação de suas informações financeiras referentes ao clima.

A lista das 100 empresas miradas por essa iniciativa, chamada de "ClimateAction 100+", inclui, sobretudo, grandes grupos de petróleo e gás (BP, Chevron, Coal India, etc.), atores do setor de transportes (Airbus, Ford, Volkswagen, etc) e grupos de mineração e da siderurgia (ArcelorMittal, BHP Billiton, Glencore, etc).

Durante cinco anos, esses 225 investidores vão acompanhar essas empresas de perto. Se fizerem progresso suficiente, poderão ser retiradas da lista.

Adaptação à mudança climática

A Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) assinou acordos com as ilhas Maurício e Comores, Níger e Tunísia, para acompanhá-los na adaptação aos impactos da mudança climática. Entre as medidas, estão a adoção de sistemas de alerta e a luta contra a erosão.

Essas assinaturas fazem parte de um dispositivo anunciado em maio de 2017, destinado a acompanhar 15 países em desenvolvimento e dotado de €30 milhões para um período de quatro anos.

O diretor-geral da AFD, Rémy Rioux, reconheceu que a "adaptação" é o "primo pobre" do financiamento do clima. Os recursos se destinam, principalmente, para a redução dos gases causadores do efeito estufa, com medidas como o investimento em energias renováveis e a adoção de transportes limpos.

(Com agência AFP)