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Rússia Corrupção Vladimir Putin

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Justiça russa condena ex-ministro à prisão por corrupção

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O ex-ministro da Economia da Rússia, Alexei Ulyukayev, foi considerado culpado por ter exigido US$ 2 milhões ao presidente da gigante petrolífera Rosneft. Maxim ZMEYEV / AFP

A Justiça russa condenou o ex-ministro da Economia Alexei Ulyukayev a oito anos de prisão por corrupção, nesta sexta-feira (15), ao final de um julgamento que o réu declarou ter sido orquestrado por pessoas ligadas ao presidente Vladimir Putin.


A Promotoria havia pedido dez anos de prisão em regime severo e uma multa de US$ 8,5 milhões, mas a corte se decidiu por uma multa de US$ 2,2 milhões de dólares.

Ministro da Economia de 2013 a 2016, Ulyukayev, de 61 anos, é acusado de ter exigido uma propina de US$ 2 milhões ao presidente da petroleira russa Rosneft, Igor Sachin, um nome ligado a Putin, em troca de autorização para comprar ações do Estado na produtora petroleira Bachneft.

Durante muito tempo, Ulyukayev se opôs à venda de parte da Bachneft à Rosneft, mas isso acabou acontecendo após receber o aval de Putin.

Escândalo

A prisão de Ulyukayev em novembro de 2016 teve grande repercussão no país, por se tratar do dirigente governamental de mais alto escalão detido e julgado na Rússia desde a chegada de Putin ao poder há 18 anos.

Embora não seja incomum funcionários de alto perfil do governo se verem envolvidos em casos de corrupção muito midiáticos, Ulyukayev foi o primeiro ministro em exercício a ir a julgamento desde o fim da União Soviética.

Em sua declaração final em 7 de dezembro, Ulyukayev se disse novamente inocente e pediu aos russos que o perdoassem por ter ignorado a situação do país durante tanto tempo, enquanto estava no governo.

Também se declarou "culpado de ter escolhido o caminho fácil, a carreira e o conforto", e que agora havia visto "até que ponto a vida das pessoas é difícil na Rússia".

O ex-ministro também considerou que uma condenação de dez anos na Rússia equivale a "uma condenação à morte". "Mas a História me absolverá", acrescentou.

Garrafas de vinho

Apesar de ter sido intimado, o poderoso Igor Sachin - chamado de "demônio" por Ulyukayev - se recusou em diferentes ocasiões a comparecer diante dos tribunais.

Em sua coletiva de imprensa anual na quinta-feira (14), Putin justificou essa recusa de Sachin.

"A lei não foi aqui, em nenhum caso, infringida", garantiu. "Os investigadores reuniram elementos suficientes, incluindo o depoimento de Sachin na investigação preliminar", completou.

O porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, negou-se nesta sexta a comentar a condenação de Ulyukayev.

Segundo os investigadores, Ulyukayev foi surpreendido em flagrante delito quando recebia um suborno da parte de Igor Sachin.

De acordo com o ex-ministro, ele achou que a bolsa que lhe haviam dado - e que pesava 22 quilos - continha apenas garrafas de vinho de luxo.

(Com agência AFP)