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Sebastián Piñera é eleito presidente do Chile pela segunda vez

Por RFI

O empresário e magnata político conservador Sebastián Piñera, 68 anos, foi eleito presidente pela segunda vez no Chile. Piñera surpreendeu e teve 54,57% dos votos em relação ao candidato governista, Alejandro Guillier, ganhando com mais de nove pontos de diferença.

 

 

Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

O eleito da coligação "Chile Vamos" vai assumir em março, mas a transição começa hoje mesmo, com um café-da-manhã na sua casa, com a própria presidente Michelle Bachelet. O Chile confirma a tendência de uma virada à direita na América do Sul, mas, com um Congresso dividido, a promessa de uma mudança pode ficar com cara mesmo de continuidade.

Se houve alguma regularidade nesta campanha eleitoral chilena foi a capacidade de todas as sondagens errarem feio. As pesquisas indicavam uma disputa acirrada, com empate técnico, mas com leve vantagem para Sebastián Piñera. Terminou sendo um banho: vantagem de 9,14 pontos.

No primeiro turno, as sondagens também tinham errado feio: previram que Piñera teria 45% dos votos, mas o candidato de centro-direita obteve apenas 36,6%. Como o próprio Piñera disse no seu discurso de vitória: esperava mais no primeiro turno e menos no segundo. Num país sem reeleição, tornou-se o primeiro presidente de direita eleito duas vezes.

Em 2010, já tinha sido o primeiro presidente de direita dos últimos 50 anos. Vai receber a faixa, pela segunda vez, da mesma pessoa: a sua adversária política, a presidente Michelle Bachelet.

Estratégia eleitoral
 
Enquanto o seu adversário de centro-esquerda, Alejandro Guillier, procurou ganhar os votos da esquerda mais radical e fragmentada, Sebastián Piñera procurou abrir o leque da direita ao centro. Foi preciso moderar o discurso e incorporar propostas que antes rejeitava como manter a educação universitária gratuita e ampliar o sistema de ensino gratuito para o curso técnico. Também passou a admitir uma reforma no sistema da Previdência.
 
Manter o que Bachelet fez e até ampliar o ensino gratuito teve forte apoio na opinião pública. O mesmo acontece com a Previdência, hoje totalmente privada. Passaria a um sistema misto com garantia estatal. Essas foram todas as prometidas reformas de Bachelet que ficaram no meio do caminho e que, junto com um crescimento anêmico da economia, foram motivo de decepção e de derrota para o governo.

Bachelet deixou o primeiro mandato em 2010 com 80% de popularidade; agora, deve deixar o governo com 30% de apoio.

Novo presidente é milionário

Piñera é um empresário bilionário e um político com trajetória. Segundo a Revista Forbes, a sua fortuna é de US$ 2,7 bilhões. Foi eleito senador em 93. Em 2005, perdeu a disputa presidencial para Michelle Bachelet. Quatro anos depois, ganhou e a sucedeu na Presidência. O mesmo acontece agora.

Aliás, outro aspecto pode-se repetir. No seu primeiro mandato, o valor do cobre estava nas nuvens. O país cresceu em média 5,8% ao ano. Quando deixou o governo, o valor do cobre coincidentemente baixou. O período Bachelet é de um crescimento baixo de 1,8% em média. Mas agora o valor do cobre pode voltar a subir, favorecendo o governo de Piñera. Metade de toda a riqueza que o Chile gera no exterior vem do cobre. Representa quase 50% das exportações.

Desafios econômicos

Os desafios vão passar justamente por como arrecadar mais para manter e ampliar o ensino universitário gratuito com o qual não concordava. O mesmo vale para o sistema de saúde e para as aposentadorias.

Sebastián Piñera sabe que foi eleito, mas, como o voto não é obrigatório no Chile, quase metade dos eleitores não foi votar porque não se identificava com nenhum dos dois candidatos. Isso significa que mais da metade da população não está de acordo com o novo presidente.

Ele vai precisar convencer uma sociedade dividida, mas também um Congresso dividido em três grandes coligações, sem que nenhuma tenha maioria. As suas propostas de reforma devem encontrar resistência ou na extrema esquerda ou na extrema direita. Por isso, no seu discurso de vitória, Piñera pediu unidade aos chilenos e falou sobre diálogo e acordos. Se não conseguir passar as reformas estruturais, o governo Piñera pode ser mais de continuidade do que de mudança.

Guinada à direita

Com a vitória de Sebastián Piñera, a América do Sul confirma a tendência de uma virada à direita. Vou ilustrar assim: enquanto o candidato governista recebeu o apoio do ex-presidente uruguaio, José Mujica, o eleito Piñera recebeu o apoio do presidente argentino, Mauricio Macri.

Como ele mesmo disse, Piñera dará prioridade à região e aos vizinhos, mas também vamos ver uma linha mais dura contra a Venezuela cujo governo ele considera uma ditadura.

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