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Governo Irã Teerã Manifestação Protestos

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Irã: protestos contra o governo deixam dois mortos

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Manifestantes protestam em frente à universidade de Teerã (Foto: Reuters)

Pelo menos duas pessoas morreram em Teerã, atingidas por disparos, nos protestos que tomaram conta da capital iraniana neste sábado (30). Há três dias, o Irã é palco de um novo movimento de contestação, cerca de oito anos depois da chamada Revolução Verde, em 2009, reprimida pelo ex-presidente conservador Mahmoud Ahmadinejad.


De acordo com as autoridades iranianas, os tiros foram dados por “agentes estrangeiros infiltrados”, principalmente sunitas radicais, e não pelas forças de segurança. Neste domingo, o ministro iraniano do Interior, Rahmani Fazli, alertou, entretanto, que o governo continuará reprimindo as manifestações, depois de uma nova noite de violência no país, neste sábado.

Em uma declaração transmitida ao vivo pela TV estatal, Fazli declarou que a situação está sob controle na capital iraniana. Segundo o ministro, os manifestantes tentaram, sem sucesso, atacar prédios públicos e 80 pessoas foram presas na cidade de Arak.

Internet cortada

Vídeos publicados nas redes sociais mostram protestos ocorridos em várias partes do país. Para evitar a disseminação da revolta, a Internet também foi cortada pelo governo ontem e só voltou a funcionar de madrugada.

Neste sábado, dezenas de estudantes se concentraram em frente à entrada principal da Universidade de Teerã para protestar contra o governo, antes de serem dispersadas pelas forças de segurança com bombas de gás lacrimogêneos. No final da tarde, centenas de pessoas manifestaram em outras partes do bairro, gritando lemas contra o poder.

Outras mortes

A agência Mehr, próxima aos conservadores, publicou no aplicativo de mensagens Telegram, utilizado por 25 milhões de iranianos, vídeos em que manifestantes atacam a prefeitura do distrito nº2 de Teerã, virando um carro da polícia. A imprensa também informou de caixotes incendiados e outros atos de vandalismo em Teerã.

Em outros vídeos difundidos pelo Telegram, milhares de manifestantes aparecem gritando "morte ao ditador" em protestos supostamente ocorridos em cidades como Khorramabad, Zanjan e Ahvaz, no oeste.

Segundo essas fontes, várias pessoas teriam sido mortas a tiros na província de Lorestan, no oeste, em confrontos com a polícia. No entanto, a autenticidade dos vídeos não pôde ser verificada, e a mídia não informou sobre protestos neste sábado em outras cidades além de Teerã.

No Twitter, o ministro das Telecomunicações, Mohammad-Javad Jahormi, acusou o Telegram de encorajar o "levantamento armado". O diretor do Telegram anunciou o fechamento da rede Amadnews, com quase quase 1,4 milhão de assinantes, por ter incitado a "violência".