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Netanyahu expulsa imigrantes africanos de Israel chamando-os de "infiltrados"

Por Daniela Kresch

O governo israelense começou a implementar, nesta quinta-feira (4), uma dura política em relação a imigrantes ilegais africanos, a maioria deles da Eritreia e do Sudão. A ideia é deportar, até abril, a grande maioria dos cerca de 38 mil imigrantes que estão atualmente no país. Quem ficar, poderá ser preso ou expulso à força.

As medidas foram anunciadas de forma ríspida nesta quarta-feira (3) pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Ele disse que os “infiltrados”, como chama os imigrantes, têm uma escolha simples: cooperar e deixar o país voluntariamente e respeitadamente, ou ficar a mercê de medidas à disposição do governo para expulsá-los.

Os imigrantes terão até o fim de março para deixar o país por vontade própria, recebendo a passagem aérea de ida e uma indenização de US$ 3.500, cerca de R$11.320. Depois dessa data, a polícia de imigração começará a deter os imigrantes. A exceção são crianças e seus pais, que poderão ficar.

Ativistas dizem que migrantes correm perigo ao retornar

Netanyahu afirmou que os imigrantes vão poder escolher se querem voltar a seus países de origem ou ir para outro país africano, entre eles Ruanda e Uganda. Israel teria fechado um acordo no qual esses países receberiam US$ 5,000 dólares por cada imigrante que receber em seu solo. No entanto, o governo de Uganda informou, nesta quinta-feira (4), que não há acordo algum nesse sentido firmado com Israel.

Enquanto isso, ativistas de direitos-humanos afirmam que, pelo menos no caso de Ruanda, os imigrantes estariam correndo perigo de vida no país.
Eles afirmam que os que já foram enviados foram torturados, explorados e não conseguiram receber vistos de trabalho, tendo que tentar a sorte em outros lugares. Muitos deles decidiram tentar chegar à Europa passando pela Líbia.

Política imigratória em Israel mudou diversas vezes

Desde que a atual onda de imigrantes ilegais africanos começou a entrar no país, há uma década, Israel mudou a política imigratória diversas vezes, mas sempre mantendo uma certa ambiguidade em relação aos imigrantes. Eles podiam ficar e circular livremente nas cidades onde chegavam e tentar conseguir asilo político. No entanto, pouquíssimos imigrantes conseguiram receber esse status. Como não podem trabalhar formalmente, acabam conseguindo empregos temporários sem carteira assinada. Muitos deles, também acabam praticando pequenos furtos. 

Justamente por isso, o governo de Israel construiu uma cerca ao longo da fronteira com o Egito, completada em 2013. Desde então, quase nenhum imigrante conseguiu entrar no país. Dos 60 mil que já haviam entrado, restam, atualmente, cerca de 38 mil. Pouco mais de 20 mil já deixaram Israel nos últimos anos, atraídos por indenizações e frustrados por não conseguir emprego.

ONGs de direitos humanos condenam medidas

Ativistas de direitos humanos condenaram as medidas tomadas pelo governo. Eles dizem que elas levarão a uma crise humanitária e que não condizem com um país que também foi criado por refugiados.

A declaração se refere ao fato de que Israel foi criado após o Holocausto, no qual seis milhões de judeus foram exterminados e outras centenas de milhares se tornaram refugiados. Muitos desses refugiados do nazismo imigraram para a antiga Palestina, na época controlada pelos britânicos, e se juntaram a outros judeus que já viviam na região e que tinham o sonho de estabelecer um lar nacional judaico.

Para muitos, essa nova campanha anti-imigrantes africanos é uma apenas medida populista elaborada para angariar mais votos ao partido de centro-direita Likud, de Netanyahu. O premiê sabe que a presença desses imigrantes em alguns lugares, principalmente no Sul de Tel Aviv, tem causado muita tensão com moradores locais, que volta e meia saem às ruas para protestar, reclamando dos assaltos, da violência e da desvalorização de imóveis nas áreas onde moram os imigrantes.

Enquanto ONGs de direitos humanos garantem que a grande maioria dos africanos é formada por refugiados ou pessoas que buscam asilo político depois de fugir de países em conflito, o governo israelense alega que, com poucas exceções, os milhares de africanos são imigrantes econômicos em busca de trabalho.

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