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Presidente francês realiza primeira visita de Estado à China

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O presidente francês Emmanuel Macron e o anfitrião, Xi Jinping,em 8 de janeiro de 2018. REUTERS/Ludovic Marin/Pool

O presidente francês Emmanuel Macron focou sua primeira visita à China, nesta segunda-feira (8), nas Novas Rotas da Seda, projeto muito importante para seu homólogo chinês, Xi Jinping. 


O chefe de Estado francês e sua esposa, Brigitte Macron, chegaram no final da tarde desta segunda-feira (8) em Pequim, onde foram recebidos pelo presidente Xi e sua esposa para um primeiro encontro. A grande reunião entre os dois líderes acontecerá na terça-feira (9).

Macron iniciou simbolicamente sua visita em Xian (norte da China), antiga capital do império chinês e ponto de partida da Rota da Seda, antiga rota comercial atualizada por Xi Jinping para consolidar os vínculos econômicos da China e sua influência. "Nossos destinos estão unidos", disse o presidente chinês em um discurso sobre o futuro das relações franco-chinesas. "O futuro precisa da França, da Europa e da China", acrescentou.

Projeto faraônico da China

Emmanuel Macron expressou seu respaldo ao faraônico projeto de conectar Ásia e Europa por terra, mar e ar. Xi lançou em 2013 um colossal projeto para construir estradas, portos, ferrovias e parques industriais. A iniciativa, chamada Novas Rotas da Seda, deve abranger 65 países, com investimentos de mais de US$ 1 trilhão.

"O meu desejo é que a França e a Europa estejam presentes neste encontro oferecido pela China", assegurou Macron em um longo discurso em Xiam, enquanto a França manteve até o momento cautela em relação a um projeto considerado perigosamente expansionista.

Mas o presidente francês não deixou de lançar uma advertência. "Essas estradas são compartilhadas e não podem ser inequívocas", disse. "Não podem ser as estradas de uma nova hegemonia que viria para transformar em vassalos os países que atravessa", concluiu.

Em face da decisão de Donald Trump de retirar os Estados Unidos do acordo de Paris sobre o aquecimento global, Macron anunciou que vai propor a Xi Jinping "relançar a batalha climática". Sem a decisão da China de persistir, "o acordo de Paris não teria sobrevivido" à decisão dos Estados Unidos, considerou, observando que a China continua sendo o maior emissor de gases do efeito estufa.

Macron oferece cavalo ao presidente chinês: um presente “das antigas”

Antes de seu discurso, Macron visitou em Xian o famoso exército de terracota subterrâneo do primeiro imperador, antes de ir a dois lugares da Rota da Seda: o Grande pagode do ganso selvagem e a Grande mesquita, testemunhas da importação do budismo e do islamismo na China.

O presidente francês, que ofereceu a seu anfitrião um cavalo da Guarda Republicana, em resposta à "diplomacia do panda" de Pequim, deve permanecer até quarta-feira (10) na capital chinesa.

"Oferecer um cavalo como presente diplomático é uma tradição que remonta aos tempos antigos", explicou Jean-Louis Gouraud, especialista na história dos cavalos e autor do livro "O cavalo, um animal político". "Dar um cavalo de presente é uma maneira de expressar seu respeito mas também de obter as boas graças daquele que se presenteia", acrescentou.

(Com informações da AFP)