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Reino Unido nega asilo diplomático para Assange e Equador busca mediação

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O governo britânico informou nesta quinta-feira que se recusa a conceder status diplomático a Julian Assange. REUTERS/Peter Nicholls/File Photo

O governo britânico declarou nesta quinta-feira (11) ter recusado o asilo diplomático para o criador do site Wikileaks, Julian Assange, refugiado desde 2012 na embaixada do Equador em Londres. O pedido, confirmado pelo Reino Unido, foi solicitado pelo governo equatoriano, que busca agora uma mediação para solucionar o problema.


Segundo o Ministério Britânico das Relações Exteriores, o Reino Unido não está discutindo a questão com os equatorianos. “O Equador sabe que a melhor maneira de resolver esse problema é Julian Assange deixar a embaixada e se entregar à Justiça”, declarou um dos porta-vozes da diplomacia britânica.

Julian Assange teme uma extradição para a Suécia, onde foi acusado de estupro. Ele nega o crime, que foi arquivado. O temor do jornalista, entretanto, é que ele seja detido e extraditado para os Estados Unidos pela publicação de documentos secretos militares e diplomáticos, em 2010.

Assange criou o Wikileaks em 2006. A divulgação dos documentos o transformou em símbolo de um novo movimento mundial para a transparência e a democracia, assim como foi caso de Edward Snowden, ex-administrador de sistemas da CIA e contratado da NSA, a Agência de Segurança Nacional americana.

Britânicos ameaçam hacker de prisão

A polícia britânica declarou que prenderia o australiano se ele deixasse a embaixada, porque não respeitou, em 2012, as condições de sua liberdade provisória, obtida sob pagamento de fiança. Na última terça-feira (9), a chefe da diplomacia equatoriana, Maria Fernanda Espinosa, disse estar em busca de uma “mediação” para obter um acordo com os britânicos sobre a situação “insustentável” de Assange.

Esta é a primeira vez que o Equador cita abertamente a possibilidade de uma mediação, que envolve, além do Reino Unido, os Estados Unidos e a Suécia. Empossado em maio, presidente equatoriano Lenin Moreno, o sucessor de Rafael Correa, que tinha autorizado o pedido de asilo de Assange, anunciou que ele poderia continuar na embaixada.

Em novembro, o Equador pediu a Assange que evitasse as declarações que pudessem complicar as relações internacionais de Quito. Na época, o fundador do Wikileaks se disse favorável à independência da Catalunha. Os advogados de Assange pediram sua libertação em um comunicado publicado no Twitter, lembrando que um grupo de trabalho da ONU estimou, em 2016, que o ex-hacker foi vítima de uma “detenção ilegal e arbitrária pelas autoridades britânicas”.