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Vice dos EUA é recebido com festa em Israel e ignorado por palestinos

O vice-presidente americano Mike Pence chegou a Israel neste domingo (21) para uma visita de dois dias, depois de passar pelo Egito e a Jordânia. Ele será recebido com honras pelo presidente israelense depois do reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel. Do lado palestino, porém, a reação foi bem diferente.

Daniela Kresch, correspondente da RFI em Tel Aviv

Trata-se de uma visita num momento delicado, um mês e meio depois do reconhecimento, pela administração Trump, de Jerusalém como capital de Israel. A declaração abalou o Oriente Médio e a comunidade internacional. A grande maioria dos países do mundo considera Tel Aviv como capital porque a ONU votou, há 70 anos, que a cidade deveria ser internacionalizada por ser sagrada para judeus, muçulmanos e cristãos.

Hoje, ela é o ponto nevrálgico do conflito entre israelenses e palestinos, já que ambos os povos querem a cidade como sua capital. A visita oficial é mais do que simbólica e representa, sem dúvida, o apoio de Washington a Israel. Nesta segunda-feira (22), Mile Pence tem dois encontros marcados com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e fará um discurso no Knesset, o Parlamento israelense.

Nesta terça-feira, o vice americano será recebido por Reuven Rivlin, o presidente do país, um cargo apolítico, mas que representa o povo israelense. Mas o momento mais esperado é a visita ao Muro das Lamentações, que fica na parte Oriental de Jerusalém, que os palestinos consideram ocupada por Israel.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, não escondeu a satisfação pela visita de Pence – que, na verdade, deveria ter vindo em dezembro, mas acabou adiando por questões internas americanas e por causa da tensão causada pelo reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel. Netanyahu chamou o vice-presidente de “grande amigo” e afirmou que ele será recebido calorosamente, assim como Trump, que visitou o país em maio do ano passado.

Netanyahu adiantou que, em seus encontros com Pence, discutirá duas questões: paz e segurança. E enviou uma mensagem diretamente ao presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas: a de que não há alternativa para a mediação americana no processo diplomático. Ou melhor: que os americanos estarão sempre envolvidos nas negociações de paz entre israelenses e palestinos.

Ele completou dizendo que, “quem não está pronto para conversar com os americanos sobre a paz – não quer a paz”.

Governo palestino boicota visita de Pence

Netanyahu se referiu ao fato de que o governo palestino está boicotando totalmente a visita de Mike Pence. É uma espécie de retaliação pela intenção de Donald Trump de transferir a embaixada americana de Tel Aviv para Jerusalém. Os palestinos dizem que os Estados Unidos não podem mais ser moderadores do conflito entre israelenses e palestinos.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, chamou o reconhecimento de “tapa na cara”. Para evitar se encontrar com Pence, ele até mesmo deixou a região e viajou para Bruxelas, onde vai pedir aos ministros das relações exteriores da União Europeia que o bloco reconheça oficialmente o Estado da palestina.

Pence também vai evitar locais com população árabe-palestina em Jerusalém, como o bairro árabe da Cidade Velha, onde fica a Igreja do Santo Sepulcro, ou a cidades de Nazaré e Belém - isso apesar de ser um cristão evangélico bem religioso.

Encontros na Jordânia e Egito

Antes de desembarcar em Israel, Pence deu uma parada no Cairo, no Egito, e em Amã, na Jordânia, para encontros com o presidente egípcio Abdel Fattah a-Sisi e o rei Abdula II. Ele ouviu praticamente a mesma coisa dos dois líderes: que os Estados Unidos de Donald Trump devem se esforçar para reverter o abalo causado pelo reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel.

Neste domingo, o rei Abdula pediu ao vice-presidente que faça de tudo para “reconstruir a confiança” entre a América e o mundo árabe. Pence afirmou que a administração Trump está comprometida em ajudar israelenses e palestinos a retomar as negociações de paz, caso os dois lados concordem.

Mas admitiu que houve uma certa tensão no encontro em Amã e que ele e o rei jordaniano “concordaram em discordar”.

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