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Incêndio Coreia do Sul Hospital

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Incêndio com mortes em hospital na Coreia do Sul reativa debate sobre segurança

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Bombeiros evacuam pacientes de hospital atingido por incêndio na Coreia do Sul. Kim Hong-ji/REUTERS

Um incêndio em um hospital da Coreia do Sul, em Myriang (sudeste), deixou ao menos 37 mortos e 130 feridos nesta sexta-feira (26). O fogo teria começado no piso térreo do estabelecimento, que também conta com uma casa de repouso para idosos. A origem do fogo ainda é desconhecida. A polícia sul-coreana investiga o caso.


Frédéric Ojardias, correspondente em Seul*

O balanço de vítimas comunicado pelo governo é provisório, mas já se sabe que a maioria das pessoas morreu por asfixia. As imagens do hospital de seis andares envolto em espessas colunas de fumaça são exibidas ao vivo pelas emissoras de televisão locais, enquanto os bombeiros lutam para evacuar sobreviventes. A tragédia ocorreu na pequena cidade de Miryang, a 380 km ao sul de Seul.

De acordo com as autoridades, o incêndio começou na sala de emergência. Após três horas de intervenção, os bombeiros conseguiram debelar as chamas e impedir que o fogo se propagasse para os andares superiores.

Em vídeos publicados nas redes sociais, imagens mostraram salvamentos efetuados pelos bombeiros. Um helicóptero içava sobreviventes envoltos em cobertores, enquanto outros eram evacuados por escadas colocadas nas janelas da fachada.   

O diretor do hospital, Son Gyeong-Cheol, reconheceu que o edifício não tinha um sistema de extintores de incêndio automático. A lei sul-coreana não exige esse tipo de instalação, mas o hospital previa adotar esse equipamento ao longo da próxima semana, antecipando uma nova lei que entrará em vigor em junho, explicou o diretor. "Havia dois aparelhos de ar-condicionado reversíveis na sala de emergência e o incêndio começou nesta área. Nós suspeitamos de um curto-circuito elétrico", disse ele.

O presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-In, expressou suas condolências às vítimas e pediu aos investigadores que identifiquem rapidamente as causas da tragédia.

Fogo às vésperas dos Jogos Olímpicos de Inverno preocupam

Este é o segundo incêndio devastador no país em menos de um mês, um desastre que reativa o debate sobre problemas de segurança recorrentes na Coreia do Sul, a poucos dias da abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno. O país se prepara para receber milhares de turistas no evento, que vai de 9 a 25 de fevereiro.

No mês passado, um incêndio em uma academia de ginástica da localidade de Jecheon, que também abrigava uma sauna, deixou 29 mortos. Essa tragédia tinha levantado muitas falhas de segurança: saídas de emergência bloqueadas por cartões magnéticos e carros mal estacionados, impedindo a passagem de caminhões de bombeiros.

Os dois desastres, em um pequeno intervalo de tempo, reavivam o debate sobre a cultura de segurança na Coreia do Sul. O país possui excelentes regulamentos, mas eles são muitas vezes negligenciados.

Há quatro anos, o naufrágio de uma balsa, causada por uma série de erros humanos, deixou mais de 300 pessoas mortas – um trauma nacional que permanece na mente de todos.

* Com agências internacionais