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Oposição síria vai boicotar conferência de Sochi

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Vladimir Putin recebe o presidente sírio Bashar al Assad durante um encontro em Sochi, em novembro Sputnik/Mikhail Klimentyev/Kremlin via REUTERS

Os grupos que formam a oposição ao regime de Bashar al Assad anunciaram nesta sexta-feira (26) à noite que boicotarão a conferência sobre a Síria organizada pela Rússia em Sochi no próximo dia 30 de janeiro, depois do fracasso da rodada de negociações, supervisionada pela ONU em Viena, na Áustria


O anúncio foi feito pelo CNS (Comitê para as Negociações Sírias), que reúne os principais grupos de oposição ao regime de Assad, em uma mensagem no Twitter. A decisão será explicada em uma coletiva que acontece neste sábado em Viena, depois de dois dias de negociações com a ONU na capital austríaca. As reuniões não permitiram avanços significativos.

"Compartilho a frustração de milhões de sírios, no interior e no exterior do país, diante da falta de uma solução política até a data", reconheceu o emissário da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, que supervisiona o processo. Mais uma vez, não houve nenhum encontro direto entre a oposição e os representantes do regime, e os delegados falaram separadamente com Mistura.

Para participar no encontro em Sochi, o CNS exigia que Damasco fizesse concessões durante as negociações em Viena. A ONU havia decidido centrar essas negociações na abordagem constitucional, que é um assunto menos sensível do que a questão das eleições, que obrigaria a debater o futuro do presidente Assad.

No entanto, o negociador do regime, Bashar al Jaafari, acusou, nessa sexta-feira, Washington e seus aliados franceses, britânicos, sauditas e jordanianos de "matar" o processo político em um rascunho de projeto que prevê, entre outras coisas, uma redução dos poderes do presidente sírio.

Mistura lembrou o compromisso da ONU com a aplicação "completa" de sua resolução 2254, que prevê a adoção de uma nova Constituição e a organização de eleições livres.

Participação da ONU

Paralelamente, a Rússia promove desde o ano passado negociações das quais participam Irã e Turquia. Nesse contexto, a Rússia convidou aproximadamente 1.600 pessoas a "um congresso de paz" na cidade de Sochi, no mar Negro, para fechar um acordo sobre uma Constituição para a Síria do pós-guerra.

Al Jaafari deixou claro que prefere esse marco para debater o futuro de seu país. Os países ocidentais observam a iniciativa com desconfiança, já que temem que Moscou tente torpedear as negociações promovidas pela ONU para conseguir um acordo favorável para seu aliado, o presidente Assad. O anúncio do boicote do CNS e a possível ausência das potências ocidentais e da ONU abalam a legitimidade do encontro de Sochi.

(Com informações da AFP)