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ONU Palestina Faixa de Gaza crise humanitária Hospital Saúde

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Conflito gera crise humanitária na Palestina: hospitais sem eletricidade

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Plaestina carrega seu filho em hospital sem eletricidade de Gaza, 6 de fevereiro de 2018. REUTERS/Mohammed Salem

As reservas de combustível necessárias para fazer funcionar os geradores de emergência, que permitem que os hospitais e os serviços de saúde de Gaza funcionem, estarão esgotadas dentro de dez dias, segundo informou em um comunicado a agência das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), nesta terça-feira (6).


A escassez de combustível é o resultado do conflito entre o Hamas e a Autoridade Palestina, que não concordam com uma divisão do poder na região, apesar do acordo de reconciliação assinado em outubro do ano passado.

O Hamas acusa a Autoridade Palestiniana de bloquear o pagamento de combustível fornecido por Israel. A Autoridade afirma que o Hamas não transferiu fundos da venda de medicamentos para Gaza, com os quais ela poderia comprar o combustível.

A escassez do produto levou ao desligamento de geradores de emergência em três dos 13 hospitais de Gaza, bem como em 14 dos 53 centros médicos do enclave, segundo agirmou Ashraf al-Kidra, porta-voz do Ministério da Saúde de Gaza. Os representantes dos centros em questão explicaram que trabalham de forma limitada e que as pessoas gravemente doentes foram encaminhadas para outros serviços de saúde.

É necessário um montante de US$ 6,5 milhões (€ 5,3 milhões) para comprar os 7,7 milhões de litros de combustível necessários para alimentar os geradores em 2018, "o mínimo necessário para evitar a parada serviços de saúde ", diz a agência da ONU.

“Temos filhos e famílias que querem viver”

Dezenas de veículos pesados bloquearam nesta terça-feira (6) a passagem na Faixa de Gaza para protestar contra a situação humanitária no enclave palestino. Em uma manifestação organizada por associações do setor privado, caminhões pertencentes a empresas de Gaza bloquearam estradas perto do cruzamento de Kerem Shalom, em Israel, que é a principal via de entrada de mercadorias no enclave.

"Nossa mensagem é que temos filhos e famílias que querem viver", disse Nahed Shuhibar, chefe da Associação de Transportes Privados de Gaza. Segundo ele, mais de 50 caminhões participam dessa operação.

Durante o protesto, cartazes foram mostrados com slogans pedindo a reconciliação entre as facções palestinas rivais Hamas e Autoridade Palestina, que continuam se opondo ​​apesar da assinatura do acordo no Cairo. Cerca de dois terços dos 1,9 milhões de habitantes de Gaza dependem da ajuda externa para viver. O enclave tem sido cenário desde 2008 de diversas guerras entre Israel por um lado, e o Hamas e seus grupos aliados, de outro.

Sujeita a um rigoroso bloqueio de mercadorias israelense, e ao fechamento quase permanente da fronteira egípcia, Gaza se encontra asfixiada por uma crise humanitária crônica. O enviado especial da ONU para o Oriente Médio, Nickolay Mladenov, advertiu na semana passada que o enclave estava à beira do "colapso total". Gaza está atormentada por conflitos, pobreza, desemprego, marasmas econômicas, escassez de água e eletricidade, problemas pelos quais Israel culpa o Hamas.