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Para jornais franceses, Kim Jong-un é o grande vencedor das Olimpíadas de Pyeongchang

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Os jornais analisam a jogada de mestre do ditador norte-coreano Kim Jong Un, que utiliza as Olimpíadas de Inverno na Coreia do Sul como ferramenta diplomática. Reprodução RFI/ Liberation.fr

Os principais jornais franceses desta sexta-feira (9) trazem os Jogos Olímpicos de Inverno da Coreia do Sul em suas capas. Para a imprensa francesa, as Olímpiadas de Pyeongchang já têm um grande vencedor: o ditador norte-coreano Kim Jong-un. 


"Kim Jong-un", o mestre dos Jogos, é a manchete de capa do jornal Libération, que estampa em página inteira uma humorística foto-montagem do ditador norte-coreano sorridente, patinando no gelo. Para o diário, "o parênteses inédito no conflito ocorre graças à inesperada boa vontade do líder, que espera fazer do evento uma vitrine de seu regime".

Sarcástico, Libé diz que se a pirueta fosse um esporte olímpico, as duas Coreias subiriam no lugar mais alto do pódio, devido à surpreendente trégua, depois de um ano inteiro de troca de ameaças, sob a interferência dos Estados Unidos. Mas tudo mudou a partir de 1° de janeiro, quando o líder norte-coreano começou a posar de negociador e anunciou o envio de uma delegação da Coreia do Norte, declarando que as competições seriam uma boa ocasião para o país e desejando sucesso aos jogos. 

Jogos para quebrar o gelo

Mesmo tom do lado do jornal Le Figaro, que estampa em sua capa a manchete: "Jogos Olímpicos para quebrar o gelo entre as Coreias", apesar do ceticismo de Washington, reitera a matéria. 

O jornal destaca a presença de Kim Yo-Jong - irmã de Kim Jong-un -, na cerimônia de abertura dos jogos. Ela se senta a poucos metros de Mike Pence, vice-presidente dos Estados Unidos, com quem a Coreia do Norte passou 2017 trocando ameaças. Para Le Figaro, essa é uma verdadeira zombaria diante da administração Trump, já que a jovem líder é alvo de sanções dos Estados Unidos.

Para amargar ainda mais Washington, Le Figaro ressalta que Kim Yo-Jong é a primeira da única dinastia comunista do planeta a cruzar a fronteira entre as Coreias, depois da sangrenta guerra entre os dois países, nos anos 50. "Sua adesão de último minuto à imponente delegação norte-coreana, com 300 membros, dá credibilidade à espetacular reaproximação intercoreana lançada no começo de janeiro", publica Le Figaro

Olimpíadas viraram ferramenta de diplomacia

"Como Pyongyang canibalizou os Jogos Olímpicos de Pyeongchang" é a manchete do jornal Les Echos. Para o diário econômico, Kim Jong-un aposta em uma grande jogada, transformando as Olimpíadas em uma ferramenta de diplomacia. 

Mas Les Echos ressalta que nem tudo são flores e a tensão continua no ar. Até porque - salienta o jornal - a população da Coreia do Sul não está convencida dos benefícios desta reaproximação. Uma pesquisa recente mostra que 70% dos sul-coreanos aprovam a participação da Coreia do Norte nos jogos, mas criticam o governo por ter cedido demais às exigências de Pyongyang. 

Segundo Les Echos, o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, corre contra o tempo e tem até o final das Olimpíadas para provar a seu país que não foi ludibriado pela Coreia do Norte e que o regime norte-coreano também está pronto a fazer concessões em prol da paz entre os dois países.