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Brasileiro reúne crianças judias e árabes em time de futebol

Conheça o "Gol Igualdade", um projeto do advogado brasileiro Gabriel Holzhacker, de 32 anos, que utiliza sua paixão pelo futebol para unir árabes e judeus em Israel.

Daniela Kresch, correspondente da RFI em Tel Aviv

O advogado paulistano Gabriel Holzhacker, de 32 anos, chegou em Israel com a família há duas décadas. Mas, apesar de ter crescido no Oriente Médio, o amor pelo futebol que sentia no Brasil nunca desapareceu. Tanto que decidiu deixar a advocacia de lado para se dedicar a duas paixões, o futebol e o ativismo social, atuando na ONG “Gol da Igualdade”, criada em 2009 para usar o esporte como um instrumento de transformação social.

A ONG tem como objetivo difundir valores como respeito, tolerância e convivência. Para isso, monta times de futebol para crianças de 9 a 16 anos de escolas de áreas com nível sócio-econômico mais baixo.Uma vez por mês, são realizados campeonatos de futebol, nos quais judeus (sejam eles religiosos, seculares, imigrantes ou nativos) e árabes (sejam eles muçulmanos ou cristãos) se unem em torno da paixão pelo futebol.

Na atual temporada, pela primeira vez, foram criados times mistos com jogadores árabes e judeus. “Essa é a primeira vez que nós estamos misturando crianças árabes e judias num mesmo time e não só jogando umas contra outras, escolas judias contra escolas árabes. Temos judeus e árabes de escolas misturadas no mesmo time”, diz Gabriel. "Como é a primeira vez, então eu também estou super curioso. As crianças estão reagindo super bem! Um menino fez um gol e foi abraçar o amiguinho árabe e ele não estava nem aí”.

Israel tem poucas escolas mistas

A ideia dos times mistos foi de Gabriel, que levou uma delegação de 22 crianças do “Gol da Igualdade” para as Olimpíadas do Rio, em 2016. Eram 11 garotos judeus e 11 árabes. Durante a viagem, os meninos acabaram se tornando amigos e jogando bola juntos.

Gabriel, que é vice-diretor da ONG, ficou emocionado. Em Israel, há poucas escolas mistas. Em geral, cada grupo estuda em seu próprio colégio. As crianças, então, não têm a chance de formar laços de amizade. A ONG começou com apenas sete escolas em Jerusalém. Mas, hoje, conta com 220 times em todo o país, incluindo Tel Aviv, a Galileia, o deserto do Negev e outras áreas. No total, cerca de 3.400 meninos e meninas participam atualmente do programa.

Para Gabriel Holzhacker, a cooperação no campo de futebol pode ser o princípio de algo mais profundo: uma amizade duradoura entre crianças que, em geral, não se encontram no dia a dia. “Se a gente começar do campo de futebol, pela primeira vez os meninos vão se abraçar, vão saber o nome um do outro. O menino judeu vai aprender como é que fala "passa a bola" para o menino árabe. A gente espera que isso depois vai sair do campo e ir para a vida deles”, acredita o brasileiro.

Para promover a convivência pacífica numa região onde isso pode ser um desafio, a ONG criada pelo economista israelense Liran Girassi não escolheu o futebol por acaso. É claro que os 70 membros da ONG – entre eles, 50 treinadores – amam o esporte bretão que é, sem dúvida, o mais querido do Brasil. Mas o paulistano Gabriel Holzhacker afirma que, em Israel, o futebol também é uma paixão, principalmente da criançada. Usando esse esporte como ferramenta, tudo fica mais fácil.

“O futebol, na verdade, é um pretexto. Poderia ser qualquer outra coisa, qualquer outro ramo da cultura, da arte, da música. Mas o futebol, inclusive aqui em Israel, é a atividade de lazer mais popular entre as crianças, diz Gabriel. “Todas torcem pelo Barcelona ou pelo Real Madri, pelos mesmo jogadores. E gostam de seleção brasileira, e gostam da seleção argentina. Então, realmente o futebol oferece uma língua comum para as crianças. Não conheço outra. Realmente não conheço outra”.

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