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Israel Irã drone Guerra Síria Geopolítica Benjamin Netanyahu

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Netanyahu ameaça Irã com intervenção militar

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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, exibe suposto fragmento de drone iraniano durante a Conferência de Segurança de Munique, na Alemanha. Lennart PREISS / MSC Munich Security Conference / AFP

A Conferência de Segurança de Munique teve um momento teatral neste domingo (18) quando o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, fez uma série de acusações ao ministro das Relações Exteriores do Irã, Javad Zarif.


Exibindo à plateia fragmentos de um drone supostamente iraniano e proveniente da Síria, derrubado na semana passada quando sobrevoava Israel, Netanyahu advertiu: "vamos intervir, se necessário, não só contra aliados do Irã, mas contra o próprio Irã". O governo de Teerã apoia o presidente sírio, Bashar al-Assad, na guerra civil que já deixou mais de 340 mil mortos em sete anos.

Perguntando ao chanceler iraniano se ele reconhecia o equipamento, Netanyahu ainda lançou um ataque pessoal contra Zarif, acusando-o de ser capaz de "mentir com eloquência".

Israel afirma ter derrubado o drone quando o aparelho espionava seu território. Em represália, as forças israelenses teriam destruído a base militar na Síria de onde o drone teria decolado. Porém, foi nessa operação que um caça F-16 israelense foi abatido na Síria, deflagrando bombardeios contra alvos sírios e iranianos no país em guerra.

"O Irã procura dominar o mundo através da agressão e do terrorismo, desenvolvendo mísseis balísticos para atingir a Europa e os Estados Unidos também", acusou o israelense. "Na minha opinião, o Irã é atualmente a maior ameaça para o mundo", acrescentou Netanyahu. O premiê advertiu que "não deixará o terrorismo sufocar os israelenses", acrescentando que o regime de Teerã terá armas atômicas em pouco mais de uma década.

Esse primeiro confronto declarado entre Israel e Irã no terreno de guerra sírio provoca temores de uma escalada do conflito, mesmo se até agora os dois países tentaram evitar uma guerra aberta.

Netanyahu estabeleceu paralelos entre o acordo nuclear do Irã, negociado com as grandes potências, e o acordo de Munique de 1938, assinado para apaziguar o líder nazista Adolf Hitler. "Um acordo para apaziguar, como há 80 anos, só tornou o regime mais determinado e a guerra mais provável. O acordo nuclear com o Irã é o início da contagem regressiva para um arsenal nuclear iraniano", insistiu.

Zarif reage

Em sua intervenção, depois da fala do israelense, o ministro iraniano referiu-se à fala de Netanyahu como "um circo caricatural que sequer merece a dignidade de uma resposta".

Novo pico de tensão na Faixa de Gaza

Enquanto netanyahu está na Europa, a situação é tensa entre palestinos e israelenses na Faixa de Gaza.

Dois adolescentes palestinos morreram atingidos por disparos israelenses nas proximidades de Rafah. No sábado (17), Israel iniciou uma campanha de bombardeios contra 18 alvos controlados pelo Hamas, no poder em Gaza. A operação israelense foi uma resposta à explosão de uma bomba que feriu quatro militares israelenses na fronteira.

Com informações da AFP