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Confrontos entre turcos e milícias pró-Assad em Afrin complicam cenário na Síria

Um mês após o início da ofensiva militar turca no norte da Síria, o exército de Ancara abriu uma nova frente de batalha na cidade de Afrin. Além do ataque aos curdos, os bombardeios agora têm como alvo também as forças de apoio ao regime de Bashar al-Assad, que avançam para retomar o controle da região. Vários países estão envolvidos nessa nova fase do conflito.

Fernanda Castelhani, correspondente da RFI em Istambul

Desde 20 de janeiro, a Turquia bombardeia os curdos da localidade de Afrin, no norte da Síria, e o regime de Bashar al-Assad decidiu recuperar o domínio dessa cidade. Diante dessa nova situação, o diálogo da Turquia com a Síria está fora de cogitação, segundo palavras do porta-voz da presidência turca.

Toda a comunicação é feita de forma indireta por pronunciamentos oficiais. Qualquer passo visando a apoiar a União de Proteção Popular - o grupo armado curdo que atua na Síria - significa um alinhamento com organizações terroristas. Por isso, Damasco também passou a ser um alvo da Turquia, que teme o fortalecimento curdo na fronteira e em seu próprio território.

Na última terça-feira (20), um comboio de 50 veículos transportando forças de apoio a Bachar al-Assad entrou na cidade de Afrin. Inicialmente, os carros recuaram diante dos bombardeios, mas acabaram avançando e estão na cidade. É importante ressaltar que não se trata do Exército sírio, mas sim de milícias populares pró-Assad da região.

Até 2012, Afrin fazia parte da república síria, mas, com a guerra civil no país, passou a se autodeclarar uma região autônoma curda. A União de Proteção Popular acabou pedindo ajuda a Damasco porque a coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos na Síria não está nessa cidade. Para os curdos é melhor ter por perto um inimigo conhecido - o regime sírio -, do que sofrer a invasão violenta dos vizinhos, o exército turco.

EUA e Turquia: relação abalada, mas não rompida

A parceria Estados Unidos e Turquia já andava ameaçada por conta do apoio americano ao grupo armado curdo. Ao que tudo indica, com a entrada das forças turcas em Afrin, a relação, ainda que abalada, não foi rompida.

Apesar de Washington deixar claro que não vai abandonar os curdos - a quem se aliou tanto para expulsar o grupo Estado Islâmico quanto para impedir o acesso do Irã aos territórios sírios - também sabe que não é estratégico romper laços com o segundo maior Exército da Otan: a Turquia. Assim, a Casa Branca se cala diante da presença turca em Afrin e sobre a entrada das forças leais ao regime de Damasco na cidade. Também mantém seus soldados em Manbij, a 100 quilômetros de Afrin.

Por sua vez, o governo de Ancara, ainda que esbraveje internamente sobre o suporte americano aos curdos, deixou de ameaçar que vai deslocar tropas justamente para onde estão os militares dos Estados Unidos. Passou a falar em futura cooperação militar na área depois de encontro com o secretário de Estado americano, Rex Tillerson.

Na última semana, ele esteve em Ancara para encontro com o presidente turco, Tayyip Erdogan, e declarou que os dois países não seguem uma aliança baseada na conveniência. Tillerson teme, na verdade, o interesse cada vez maior da Turquia pelo Irã e pela Rússia.

Aval de Moscou em Afrin

A operação turca em Afrin nunca teria começado sem o aval do governo de Moscou, que controla o espaço aéreo sírio nessa região do país e é o principal defensor de Damasco. Alguns analistas interpretam que o presidente russo, Vladimir Putin, ao atender à vaidade do governo de Ancara, não só salva seu relacionamento com Erdogan como também prova aos curdos a ineficácia da aliança com Washington, semeando justamente a discórdia entre Estados Unidos e Turquia.

A Rússia se posiciona como um grande juiz e agora também tenta induzir o presidente turco a conversar com Bashar al-Assad, apesar de, como já falamos aqui, a Turquia não ter nenhuma intenção de que isso aconteça. O Kremlin arquiteta mais uma etapa nessa mediação: um encontro entre os ministros de Relações Exteriores do Irã e da Turquia para tratar justamente do futuro da Síria, que teve o território transformado no tabuleiro de um jogo de poder internacional.

Enquanto isso, o Observatório Sírio de Direitos Humanos afirma que, desde o início da ofensiva turca, morreram: 219 militantes curdos, 205 rebeldes sírios e 112 civis. A Turquia afirma que perdeu 32 de seus soldados e nega a morte de civis. De qualquer forma, Afrin é apenas um dos diversos pontos de conflito em um país que é palco de sete anos de guerra.

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