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Síria: Conselho de Segurança da ONU discute projeto de cessar-fogo na Guta Oriental

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Com bebê nos braços, homem foge de bombardeio na região da Guta Oriental ABDULMONAM EASSA / AFP

O Conselho de Segurança das Nações Unidas está próximo de obter um acordo sobre um cessar-fogo de 30 dias na Síria, que permitirá o envio de ajuda humanitária na região da Guta Oriental, perto de Damasco. A declaração foi feita neste sábado (24) pelo embaixador do Kuwait, Mansur al Otaibi, que está à frente da presidência rotativa do órgão no mês de fevereiro.


O Conselho planejava realizar a votação do projeto de cessar-fogo ainda nesta sexta-feira (23), mas ela foi adiada e deve ocorrer nesta tarde, por volta de 14h00 em Brasília. O objetivo é evitar o veto da Rússia, contrária à qualquer ingerência na região e aliada do regime de Bashar Al-Assad. Na quinta-feira, o embaixador russo nas Nações Unidas, Vasili Nebenzia, declarou que "não haveria acordo" para impor uma trégua humanitária.

O cessar-fogo visa permitir o envio de ajuda humanitária, a retirada dos feridos da Guta Oriental e a evacuação de parte de sua população, de cerca de 400 mil pessoas. Na madrugada deste sábado, a região foi novamente alvo de intensos bombardeios que deixaram três civis mortos e provocou incêndios.

O horário da votação foi adiado três vezes nesta sexta-feira, para evitar o bloqueio da Rússia. O último rascunho do texto entregue aos membros do Conselho se limitava a "pedir" um cessar-fogo, enquanto a versão precedente utilizava o verbo "decidir". O texto especifica ainda que a trégua não será aplicada a "indivíduos, grupos, empresas e entidades ligadas" à Al-Qaeda e ao grupo Estado Islâmico. A versão precedente citava apenas as duas organizações.

O projeto de resolução original foi apresentado no dia 9 de fevereiro pela Suécia e o Kuwait, mas as negociações ficaram paradas. Desde então, o regime sírio bombardeia a Guta Oriental, onde morreram mais de 400 pessoas nos últimos cinco dias.

Mais de 13,1 milhões de sírios precisam de ajuda humanitária, incluindo os 6,1 milhões de deslocados dentro do país desde o início de uma guerra civil, em 2011, que matou mais de 340 mil pessoas.

UE pede trégua

A União Europeia defendeu nesta sexta-feira (23) a trégua na Síria. A França e a Alemanha pedem que o presidente russo, Vladimir Putin, apoie a resolução do Conselho de Segurança. "O governo ataca brutalmente homens, mulheres e crianças inocentes e seus aliados Rússia e Irã o deixam agir. A UE pede um cessar-fogo imediato", disse o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, ao fim de uma reunião de líderes em Bruxelas.

A ofensiva contra os extremistas do grupo Estado Islâmico torna "muito delicada" uma trégua em todo o país, por isso a França e a Alemanha concentraram seus esforços em um cessar-fogo na Guta Oriental, de acordo com o presidente francês, Emmanuel Macron. A França também se disse disposta a receber os imigrantes evacuados em uma operação humanitária. "A França trabalha com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e está disposta a receber todas as pessoas evacuadas desse cenário" de conflito, afirmou Macron.